A ameaça tornou-se realidade. Os agricultores do concelho de Serpa vão sair para a estrada esta sexta-feira, 2 de outubro, numa manifestação que deverá juntar cerca de 80 tratores e outras viaturas e prolongar-se durante 24 horas.
A iniciativa é organizada pela APROSERPA – Associação de Produtores do Concelho de Serpa e surge poucos dias depois de cerca de 50 agricultores se terem concentrado numa herdade próxima de Vila Nova de São Bento, acompanhados por quase 30 tratores, para denunciarem aquilo que classificam como condições “impraticáveis” para continuar a produzir.
Desta vez, o protesto ganha outra dimensão e passa para a Estrada Nacional 260, num percurso que envolve Vila Nova de São Bento, Serpa e a Ponte do Guadiana.
A mobilização começa cedo. Às sete da manhã, uma das concentrações está marcada para o recinto do mercado mensal, em Serpa. Meia hora depois começa outra concentração em Vila Nova de São Bento, junto às bombas de combustível.
Às 07h45, os tratores reunidos em Serpa partem em marcha lenta na direção de Vila Nova de São Bento. Às 08h20, a segunda coluna fará o percurso contrário.
O encontro está previsto para as 09h00, em A do Pinto. A partir daí, os agricultores seguem juntos em direção a Serpa, onde deverão passar pelas 10h20. A chegada à Ponte do Guadiana está prevista para as 10h50.
O protesto não termina aí. Segundo a APROSERPA, os agricultores vão manter a manifestação em circulação entre Serpa e a Ponte do Guadiana durante 24 horas.
A associação garante que a iniciativa foi comunicada às autoridades e que decorrerá de forma ordeira e em articulação com a GNR.
Por detrás dos tratores está uma mensagem de forte descontentamento. Os produtores dizem que os custos continuam a subir enquanto os preços recebidos pela produção não acompanham esse aumento, colocando cada vez mais pressão sobre explorações agrícolas e pecuárias.
O protesto de Serpa acontece, aliás, num momento de contestação mais alargada no setor. A Confederação dos Agricultores de Portugal exige ao Governo mais 140 milhões de euros em apoios extraordinários, além dos 60 milhões já anunciados, argumentando que combustíveis, fertilizantes e outros fatores de produção estão a retirar competitividade aos agricultores portugueses. A CAP compara a resposta nacional com cerca de 1.100 milhões de euros em medidas que atribui ao Governo espanhol.
A confederação anunciou ainda que, a 12 de outubro, uma delegação vai entregar as reivindicações no Parlamento e na residência oficial do primeiro-ministro. Sem uma resposta que considere suficiente, admite avançar para medidas concertadas de protesto.
Em Serpa, porém, os agricultores não vão esperar até dia 12.
Esta sexta-feira, a contestação sai dos campos e entra na estrada. Cerca de 80 tratores e viaturas são esperados na EN260, numa manifestação que pretende mostrar que, para muitos produtores da Margem Esquerda do Guadiana, a discussão já não é apenas quanto custa produzir, mas durante quanto tempo ainda será possível continuar a fazê-lo.