A criminalidade juvenil aumentou nos primeiros seis meses de 2026. A GNR contabilizou 797 ocorrências envolvendo jovens até aos 16 anos, mais 83 do que no mesmo período do ano passado. É uma subida de 11,6%.
Mas os números revelam duas realidades distintas. Enquanto aumenta o total de participações, a criminalidade violenta e grave caiu 44%, passando de 25 para 14 ocorrências.
Também os roubos na via pública diminuíram para metade, de dez para cinco, enquanto as ofensas graves à integridade física recuaram de quatro casos para apenas um.
Em sentido contrário, há um fenómeno que começa a ganhar peso: os conflitos estão cada vez mais presentes no espaço digital. As ocorrências de devassa através da Internet, redes sociais e outros meios de difusão aumentaram 160%, passando de cinco para 13 casos. A GNR associa esta evolução à crescente expressão do ciberbullying.
As ofensas à integridade física simples continuam, ainda assim, a representar o maior número de situações, com 212 participações, apesar de terem diminuído quase 20%. Seguem-se as ameaças e coação, com 76 casos.
Há outros indicadores a subir. A condução sem carta aumentou 50%, para 27 ocorrências; os furtos em estabelecimentos comerciais cresceram 26,1%, para 29; e o tráfico de droga subiu 42,9%, atingindo dez casos.
Ao longo dos primeiros seis meses do ano foram identificados 1.398 suspeitos.
A análise dos horários revela ainda que quase metade das ocorrências acontece entre as 13h00 e as 18h00 dos dias úteis, período associado às saídas das aulas, deslocações e momentos de convívio nas proximidades das escolas.
Setúbal surge no topo dos distritos com mais ocorrências, com 142, seguido de Faro, com 98, Lisboa, com 96, e Porto, com 79.
Perante esta evolução, a GNR está a reforçar a prevenção através do Programa Escola Segura, com maior atenção às zonas envolventes dos estabelecimentos de ensino e ações dirigidas à segurança na Internet, ciberbullying, consumos aditivos e responsabilização dos jovens.
Os números deixam, assim, um retrato aparentemente contraditório: há mais criminalidade juvenil registada, mas menos violência grave. Ao mesmo tempo, uma parte crescente dos comportamentos de risco e dos conflitos entre os mais novos está a mudar de território — da rua para o mundo digital.