A escolha de Tancos para instalar uma escola de pilotos, num investimento estimado em 500 milhões de euros, está a gerar forte contestação no Baixo Alentejo. A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo acusa o Governo de voltar a deixar o aeroporto de Beja fora de um projeto estratégico para o setor da aviação.
A CIMBAL manifesta o seu desagrado com a opção anunciada esta quarta-feira, 14 de outubro, considerando que a decisão representa uma nova oportunidade perdida para valorizar a infraestrutura aeroportuária de Beja.
Em comunicado, a entidade, que representa 13 municípios do distrito, classifica a escolha governamental como uma «forte desconsideração pelo Baixo Alentejo».
O projeto surge associado ao processo de privatização parcial da TAP e à entrada prevista da companhia alemã Lufthansa no capital da transportadora portuguesa.
Para os autarcas do Baixo Alentejo, a decisão levanta várias questões, sobretudo porque consideram que Beja dispõe de condições para acolher a formação de pilotos sem necessidade de investimentos estruturais comparáveis aos exigidos em Tancos.
A CIMBAL recorda que o aeródromo de Tancos tem utilização exclusivamente militar e necessita de adaptações para receber atividades de aviação civil.
Em contrapartida, sublinha que o aeroporto de Beja já dispõe de infraestruturas operacionais e permite a utilização militar e civil.
Outro dos argumentos apresentados é a experiência da região na formação aeronáutica.
A Comunidade Intermunicipal lembra que a Base Aérea de Beja acolheu, durante décadas, atividades de treino de pilotos militares, incluindo no período em que recebeu forças alemãs.
Acrescenta que a infraestrutura já foi utilizada para operações de formação de pilotos de aviação comercial, além de apresentar condições para estacionamento e manutenção de aeronaves.
A CIMBAL considera que o projeto poderia contribuir para criar novas oportunidades económicas, atrair investimento e reforçar a importância estratégica do aeroporto de Beja.
Na perspetiva dos municípios, a privatização parcial da TAP representava uma oportunidade para integrar o Baixo Alentejo numa iniciativa de grande dimensão ligada à indústria aeronáutica.
Contudo, a escolha de Tancos é interpretada pelos autarcas como mais um sinal de falta de aposta governamental na região.
A estrutura intermunicipal dirige, por isso, um protesto público ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestando o seu desapontamento com a orientação anunciada.
A polémica volta a colocar o futuro do aeroporto de Beja no centro do debate regional, numa altura em que os municípios continuam a defender uma maior utilização da infraestrutura e a captação de projetos capazes de dinamizar a economia do Baixo Alentejo.
Para a CIMBAL, a questão é clara: perante um investimento estimado em 500 milhões de euros, o Governo deveria ter considerado as condições já existentes em Beja antes de optar por Tancos.