A Capital Nacional da Caça prepara-se para receber uma edição histórica da Feira da Caça de Mértola. Entre 24 e 26 de outubro, o certame muda, pela primeira vez, para o Parque Desportivo e de Lazer Municipal, numa aposta que, segundo a Câmara, permitirá realizar a maior edição de sempre. A procura por espaços de exposição bateu todos os recordes, ultrapassando a capacidade disponível e deixando alguns interessados de fora
Em declarações à Rádio Pax, o presidente da Câmara, Mário Tomé, não esconde a ambição. “Estão reunidas todas as condições para ter a maior feira da caça alguma vez realizada em Mértola”, afirma, defendendo que pode ser “um dos maiores certames, se não o maior”, do país no setor cinegético.
Para o autarca, a maior vantagem do novo local é o próprio desafio. “Às vezes as equipas, os projetos, as ideias precisam de desafios, precisam de estímulos”, sustenta, considerando que isso, por si só, já foi uma vantagem.
Mas há razões mais concretas. O parque é muito envolvido pela vegetação, o que, segundo Mário Tomé, valoriza as demonstrações de avifauna viva, uma das imagens de marca da feira. A organização montou um pavilhão para os armeiros e para tudo o que se liga ao mundo da caça. Na zona inferior ficam os produtores locais e de outros pontos da região, com venda direta de produtos associados ao setor e ao mundo rural.
A mudança tem custos. O presidente explica que, em qualquer local, é obrigatório montar uma tenda, porque não é permitido juntar armeiros e armas à restauração e à parte recreativa. Este ano a estrutura é muito maior, e o investimento subiu “em valores próximos dos 30 a 40 por cento”. Ainda assim, Mário Tomé recusa falar em despesa: “É mesmo um investimento, porque consideramos que o setor é muito importante para o território, para a nossa identidade e para a nossa economia local.”
A procura confirma o entusiasmo. Estão confirmados mais de cem expositores, mas houve quem tivesse de ficar de fora. “Infelizmente, ficou muita gente de fora”, lamenta o autarca, explicando que foi preciso reduzir ligeiramente o tamanho dos stands e que, mesmo assim, o espaço físico não permite receber todos. Entre os presentes, diz, estão “as melhores marcas associadas à caça”.
O título que Mértola ostenta nasceu, recorda o presidente, da “apetência natural” do território para a atividade cinegética. Mas, admite, “era preciso dar-lhe mais substância”. Foi o que a Câmara fez, com as Jornadas da Caça, que juntam eventos práticos e formativos, com uma Cátedra da Caça, de vertente científica, e com um projeto de recuperação do coelho-bravo e da lebre-ibérica, que passa pela reprodução e pelas questões sanitárias, um dos maiores problemas.
As vantagens, defende, são sobretudo económicas. Mértola vive muito do turismo, mas o outono e o inverno são meses de menor procura. “A caça vem complementar essa dimensão”, diz o autarca, lembrando que são meses com “uma procura elevadíssima” de visitantes. A atividade ajuda também quem tem rendimentos de trabalhos sazonais, como os produtores e os gestores de caça, e dá potencial às explorações agrícolas que podem desenvolver a atividade cinegética. O slogan de Capital Nacional da Caça é, conclui, uma mais-valia para a atratividade de quem vende “um produto e um conceito”.
Reconhecida como referência na promoção da caça sustentável, a feira reúne profissionais, caçadores, investigadores, associações e visitantes de todo o país, e tem contribuído para valorizar os recursos naturais, a biodiversidade, a cultura rural e a economia local.