Entrou no lar de manhã e, dez horas depois, havia um morto e dois feridos. O Ministério Público de Ourique acusou de homicídio qualificado um idoso de 93 anos, que em dezembro atacou três utentes do Lar de Garvão, no concelho de Ourique.
Segundo o Lidador Notícias, no despacho de acusação do Ministério Público (MP) de Ourique, datado de 15 de junho deste ano e assinado pela procuradora Sílvia Raminhos, Manuel Francisco Guerreiro, de 93 anos, terá atuado com a intenção de matar três pessoas.
Apesar da idade avançada do arguido e de se encontrar sujeito a internamento preventivo numa unidade psiquiátrica ou estabelecimento adequado (medida aplicada em substituição da prisão preventiva), a magistrada esclarece que a gravidade dos crimes imputados e as respetivas molduras penais impedem, por razões legais, a suspensão provisória do processo.
Assim, o arguido terá de responder pelas acusações em julgamento, perante um tribunal coletivo, composto por três juízes.
Os factos aconteceram na noite de 20 de dezembro, por volta das dez da noite. O arguido foi à casa de banho do quarto onde dormia, arrancou as fixações da barra de apoio para pessoas com mobilidade reduzida e usou-a como arma. No quarto estavam outros dois utentes, de 68 e de 97 anos. O mais novo foi atingido várias vezes na cabeça e no rosto. O de 97 anos sofreu um traumatismo crânio-encefálico e outras lesões, e morreu depois de dar entrada nas urgências do Hospital de Beja.
No corredor, o arguido encontrou uma utente de 90 anos, que só foi atingida numa mão, porque conseguiu defender-se. Depois, empunhou de novo a barra contra uma auxiliar e gritou-lhe: “Vou acabar contigo”. Só parou quando foi imobilizado por um grupo de auxiliares, que o levaram para um quarto de arrumos.
O Ministério Público considera que a atitude terá sido motivada pela revolta de ter sido colocado no lar, associada a problemas do foro psiquiátrico. O homem vivia no Monte Saraiva e tinha dado entrada na instituição ao meio-dia desse mesmo dia.
O arrendatário do lar, Sérgio Delgado, afirmou nas redes sociais que o utente foi admitido a título excecional e temporário, a pedido urgente de familiares feito na véspera, e que, no momento da admissão, não foi comunicado qualquer elemento clínico, para além dos motivos de idas às urgências.
Há ainda outra polémica. O lar, inaugurado em 2012 como Unidade de Cuidados Continuados, com um investimento de mais de um milhão de euros, não tinha licença de funcionamento da Segurança Social. O arrendatário atribuiu a situação a uma falha procedimental e a um excesso de zelo burocrático, e disse que a Segurança Social conhecia a falta de licença há mais de um ano. Sérgio Delgado era vereador na Câmara de Castro Verde, eleito pela CDU em outubro de 2025, e renunciou ao cargo.
O arguido será julgado por um coletivo de juízes.