Camiões que se cruzam numa via estreita, bermas degradadas, buracos no pavimento e acidentes quase todas as semanas. É assim que o presidente da Câmara de Alvito, José Efigénio, descreve a Estrada Nacional 257, e acusa o ministro das Infraestruturas, Manuel Pinto Luz, de ter ignorado o problema quando lhe foi levado em mão. Em entrevista à Rádio Pax, o autarca deixa um aviso sem rodeios: se nada for feito, “vão acontecer ali mortes que se podiam evitar se houvesse um investimento”.
A EN257 liga a Nacional 2 à Nacional 2, começando no cruzamento de Odivelas e terminando nas Alcáçovas. O troço que mais preocupa o autarca é o que liga Alvito a Viana do Alentejo, que classifica como “um verdadeiro perigo”. É a zona “que oferece muito mais perigo”, e onde, lamenta, “tem acontecido infelizmente muitos acidentes”, ao ponto de, segundo diz, quase todas as semanas haver ocorrências.
José Efigénio garante que não tem ficado calado. Reportou a situação por três vezes ao anterior diretor regional das Infraestruturas de Portugal e por duas à atual diretora, com quem diz ter trocado vários telefonemas. Reconhece que nota “a preocupação” da responsável, mas a resposta é sempre a mesma: não há verbas disponíveis para o alargamento que a Câmara de Alvito pede há muito tempo.
Foi então que decidiu levar o assunto ao topo. Reuniu com o ministro, mas saiu desiludido. “Pura e simplesmente ignorou esta minha solicitação”, acusa. “Não vi, da parte do senhor ministro, qualquer preocupação em relação a esta estrada.” Segundo o autarca, Manuel Pinto Luz limitou-se a invocar o tráfego, argumentando que a via não tem movimento suficiente para justificar um alargamento. A resposta de José Efigénio foi direta: se o critério for o tráfego, “se calhar nenhuma via do Baixo Alentejo é merecedora de qualquer alargamento ou qualquer melhoria”. E acrescenta: “Se compararmos o Alentejo com outras zonas do país onde tem mais habitantes, estamos sempre em desvantagem. Mas aquilo que é mais importante, e que me preocupa muito, são os constantes acidentes
O problema, explica, agrava-se nesta altura do ano. A estrada tem muitos camiões e veículos pesados todos os dias e, durante a campanha do bagaço, o movimento aumenta, porque há duas fábricas de bagaço de azeitona na zona, uma em Alvito e outra a seguir a Odivelas. A via traz os camiões do Alentejo Central, e o cruzamento entre eles é, nas palavras do autarca, “realmente aflitivo”.
A lista de defeitos é longa. “Não temos boas bermas, as bermas têm falta de segurança, estão num péssimo estado”, enumera. O pavimento tem “muitos buracos” e a estrada é muito estreita. Há ainda sobreiros junto à faixa de rodagem, que impedem os camiões de se encostarem. “Tem tudo o que é mau”, resume, “e terá de provocar, como tem provocado muitas vezes, acidentes.”
José Efigénio chegou a propor que a Câmara pagasse o projeto de alargamento da estrada, mas diz que não teve “qualquer resposta” a esta oferta. Sem saber que mais fazer, admite que a população possa ter de recorrer a formas de protesto. “Se calhar um dia teremos que fazer uma marcha lenta naquela estrada, não sei o que vai acontecer”, afirma. A certeza, essa, mantém-se: vão acontecer mortes que se podiam evitar.