O interior continua a travar uma batalha difícil pela atração de estudantes para o Ensino Superior. Enquanto Lisboa e Porto praticamente esgotam as vagas, instituições de territórios como Beja continuam com uma parte significativa da oferta por preencher. Mas, no caso da Universidade Politécnica de Beja, há um dado que contraria a tendência mais negativa: a procura cresceu de forma expressiva na segunda fase do concurso deste ano.
A instituição conseguiu 105 estudantes colocados, contra apenas 56 na mesma fase de 2025. Significa que, num ano, Beja ganhou mais 49 novos alunos nesta etapa do Concurso Nacional de Acesso, traduzindo-se num crescimento de 87,5%.
É uma subida muito acima da evolução registada pelo conjunto das instituições politécnicas, que, segundo os dados apresentados pela Universidade Politécnica de Beja, ficou pelos 14%.
Também a ocupação melhorou. Em 2025, apenas 15,6% das vagas consideradas nesta fase tinham sido preenchidas. Este ano, a percentagem chegou aos 38,6%, uma recuperação de 23 pontos percentuais.
A instituição salienta também que várias formações conseguiram ocupar integralmente os lugares disponibilizados.
Para o reitor da Universidade Politécnica de Beja, Aldo Passarinho, os resultados representam um sinal positivo. O responsável destaca precisamente o crescimento de 87,5% dos colocados e a subida da taxa de ocupação, considerando que os números reforçam a confiança na estratégia seguida pela instituição e na sua ligação ao Alentejo.
A realidade nacional continua, porém, a revelar fortes diferenças territoriais. O interior concentra uma parcela importante das vagas que ficam sem estudantes, enquanto Lisboa e Porto apresentam níveis de ocupação muito superiores.
Os novos alunos colocados podem efetuar as matrículas entre 1 e 3 de outubro. Para quem ainda procura entrar no Ensino Superior haverá uma terceira fase, entre 10 e 12 de outubro.
Beja ainda tem lugares vazios, mas os números deste ano deixam um sinal diferente: numa região onde captar estudantes continua a ser um dos grandes desafios, a Universidade Politécnica conseguiu quase duplicar os colocados na segunda fase em apenas um ano.