Bombeiros do distrito dão prioridade ao “socorro pré-hospitalar”

A Federação dos Bombeiros do distrito de Beja vem em comunicado mostrar a sua “tomada de posição” face à pandemia da Covid-19.

Os 15 comandantes das corporações do distrito de Beja acusam as “entidades de saúde” de terem uma “postura de total desconsideração, desinformação e desrespeito pelo principal agente de proteção civil: os Bombeiros”.

A Federação decidiu recusar o transporte de doentes infetados com a Covid-19, garantindo apenas, o socorro pré-hospitalares protocolado com o INEM.

Os Bombeiros do distrito de Beja referem não ter “recebido um único EPI- Equipamento de Proteção Individual, via INEM, e questionam-se como “é que com a atribuição do valor de dois euros para consumíveis, é possível adquirir dois EPI completos para os tripulantes, mais duas máscaras a atribuir ao doente e respetivo acompanhante, sem contar com todos os consumíveis necessários para o cumprimento dos protocolos de avaliação, de prestação de primeiros socorros e terapia durante o transporte”.

No comunicado enviado à Rádio Pax, a Federação refere também que a Secretaria de Estado do Ministério da Administração Interna vai entregar 80 mil máscaras aos bombeiros e 118 mil à PSP e GNR (…)”.

Até ao momento, “apenas foram entregues para todo o distrito 330 batas, 560 máscaras, quatro batas, seis óculos, dez máscaras e dez pares de luvas, entregues a cada Corpo de Bombeiros no dia 5 de Março”.

Os Bombeiros dizem que “o distrito responde mensalmente a mais de 2 mil serviços de âmbito pré-hospitalar (…) o equipamento distribuído, para além de não observar toda a composição de um EPI completo, garante menos de uma semana de serviços”.

“Enquanto não forem fornecidos aos Corpos de Bombeiros o número de EPI suficientes para dar uma resposta a todas as solicitações, os Corpos de Bombeiros têm de racionalizar os EPI, pelo que é dada primazia a todo o socorro pré-hospitalar à nossa população, em detrimento do transporte de doentes não urgentes, e onde se incluem os casos suspeitos ou positivos de COVID-19, internados nas unidades de saúde ou seja os chamados retornos”.

O mesmo documento critica também, o “procedimento habitual do SNS 24” que pede à população com possíveis sintomas de Covid-19 para “ligar aos bombeiros para efetuar o transporte”.

“Os Corpos de Bombeiros do distrito de Beja não reconhecem na Saúde 24 autoridade para mandar os utentes contactarem os bombeiros, declinando a responsabilidade pelo transporte, por vezes não aconselhando as pessoas a ficarem em casa e/ou têm capacidade para se deslocarem para as unidades de saúde por meios próprios, contrariando assim, todas as orientações estabelecidas”. (…)

A Federação fala sobre “a postura do INEM” que “também tem vindo a agudizar este problema, na justa medida que, sendo este instituto a entidade responsável pelo socorro pré-hospitalar, os Corpos de Bombeiros quando recebem estas chamadas oriundas da Saúde 24, cumprem o protocolo, ao transferirem essas chamadas para o CODU em pedido de triagem. Como a situação advém do SNS 24, o mesmo contacta diretamente para os bombeiros, informando que é uma suspeita de COVID 19, mas que é serviço nosso, não atribuindo ficha CODU. Mais uma vez é ‘empurrado’ o problema para os CB”.

O documento é assinado pelos comandantes dos Corpos de Bombeiros de Beja, Odemira, Moura, Aljustrel, Alvito, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Almodôvar, Ourique, Serpa, Castro Verde, Vidigueira e Vila Nova de Milfontes.