Os agricultores foram a Lisboa mostrar o seu descontentamento e deixaram um aviso: se o Governo não responder, os protestos vão crescer.
Depois de uma concentração junto à Assembleia da República, a Confederação dos Agricultores de Portugal entregou as suas reivindicações na residência oficial do primeiro-ministro. O presidente, Álvaro Mendonça e Moura, avisou que, ou o Governo reconhece a razão dos agricultores e adota as medidas necessárias, ou haverá manifestações de maior dimensão.
Segundo o dirigente, o chefe de gabinete de Luís Montenegro comprometeu-se a transmitir as reivindicações ao primeiro-ministro e a tentar acomodá-las dentro da margem que o Governo diz ter.
A CAP exige um pacote de 140 milhões de euros para compensar o aumento dos custos de produção, sobretudo dos combustíveis e dos fertilizantes. E dá exemplos da diferença em relação a Espanha: no gasóleo agrícola, o apoio espanhol é de vinte cêntimos por litro, o dobro dos dez cêntimos de Portugal. Nos fertilizantes, o apoio português é cerca de trinta vezes inferior. Nessas condições, diz Mendonça e Moura, não é possível competir.
Defende ainda que o Orçamento do Estado preveja verbas para esta crise, cuja duração é incerta.
Entretanto, o ministro da Agricultura afirmou hoje que só em 2027 haverá mais de cento e sessenta e dois milhões de euros de apoio aos agricultores.
Na concentração, vários produtores descreveram as suas dificuldades. Os fruticultores falam de custos a subir sem aumento dos preços pagos ao produtor. Os criadores de ruminantes apontam a queda do preço dos animais, com margens que já são residuais. E os apicultores admitem desistir e pedem ajudas diretas, nomeadamente para o combustível.
À porta do primeiro-ministro, a CAP deixou ainda um cabaz com arroz, fruta, hortícolas, queijo, azeite, vinho, frutos secos e mel, para alertar para o risco de perda de produção nacional.