Há esperança para os trabalhadores despedidos da fábrica de Moura

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda esteve esta terça-feira na cidade de Moura a propósito do encerramento da fábrica de painéis solares, daquela localidade. O encerramento desta unidade fabril deixa 105 pessoas desempregadas.
Para combater a crise das alterações climáticas é essencial uma aposta mais forte nas energias renováveis, consequentemente, o encerramento desta fábrica “é um contrassenso”, afirma Catarina Martins.
Numa altura em que o país anuncia investimentos avultados na energia solar para corresponder às exigências de descarbonização da economia e responder às alterações climáticas, “não faz sentido deixar fechar uma empresa que produz no nosso pais painéis solares”, acrescenta.
Catarina Martins acredita haver uma solução que pode passar pela “intervenção publica directa” para manter a produção de painéis solares em Moura.
A Rádio Pax sabe que existe a possibilidade de uma empresa, com capitais ingleses, poder vir a instalar, no mesmo local, uma fábrica de produção de componentes na área da energia.
Contactado por esta estação emissora, Pedro do Carmo, deputado do PS eleito por Beja, confirmou a realização de uma reunião de trabalho e visita às instalações da fábrica, com os investidores ingleses. A data ainda está por definir, no entanto, o deputado acredita poder acontecer já no início de Março.

Novo salário mínimo dos funcionários públicos

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda diz que “não existe salário mínimo para a função pública”, o que existe é um salário mínimo nacional e toda a gente, em todos os sectores, publico e privado, não pode pagar menos de 600€. Afirmações a propósito do diploma que faz subir a base salarial na função pública, já promulgado pelo Presidente da República.
Esta responsável garante que tem existido uma “campanha da direita” de comparação entre o público e o privado, e esclarece que, “cada sector define a sua remuneração base”. Na função pública, ate agora, a remuneração base estava abaixo do salário mínimo nacional.
Questionada sobre as reservas do Presidente da República ao promulgar o diploma, Catarina Martins diz que teve a ver com “situações de desigualdade” que o decreto-lei vai provocar. “Foi aumentada a remuneração base dos salários mais baixos, no entanto, há pessoas que estão há décadas a ganhar o mesmo porque não houve actualização salarial na função pública”, esclareceu a coordenadora nacional do Bloco, esta terça-feira, em Moura, no âmbito de uma visita a propósito do encerramento da fábrica de painéis solares, daquela localidade.

Greve dos enfermeiros

Sobre a legalidade da greve dos enfermeiros, Catarina Martins não se quis pronunciar. “É uma decisão dos tribunais e dos sindicatos”, afirma.
“Para lá da questão da greve, o governo continua a ter um problema para resolver, que é tratar as enfermeiras e enfermeiros deste país com a dignidade que eles merecem”. A responsável do Bloco acrescentou ainda que o “facto de haver enfermeiros que trabalham há quinze anos a ganhar como se tivessem começado a trabalhar hoje, isso não é justo”.
Sobre esta matéria a coordenadora nacional do Bloco terminou afirmando que “a questão da greve não resolve o problema de base”.