EMAS fechou “2017 no vermelho”

A Empresa Municipal de Água e Saneamento de Beja (EMAS) fechou agora as contas de 2017. Segundo a actual administração, no ano passado a empresa obteve o “pior resultado da década”.

A nova administração, que assumiu funções em Novembro de 2017, frisa que “pouco já se podia fazer para conter os danos causados pela gestão do último quadriénio”.

Em nota enviada à Rádio Pax, a EMAS adianta que “na verdade é preciso recuar a 2006, para encontrar um resultado pior, uma situação que somada à dívida a bancos e a empreiteiros de cerca de 2,5 milhões de euros que foi necessário liquidar nos últimos meses do ano, torna esta situação ainda mais complexa do ponto de vista estrutural que a encontrada em 2009, altura em que a empresa sofria também de graves desequilíbrios financeiros”.

A empresa acrescenta que “apesar de não ser fácil recuperar de um dia para o outro de um desequilíbrio que foi criado ao longo de quatro anos, este facto não deve trazer preocupações acrescidas para colaboradores, clientes e parceiros, atendendo a que trajectória de recuperação está já em marcha e esta administração tudo fará para que o real valor da empresa não seja afectado”.

Rui Marreiros, administrador da EMAS, afirma que “confirmaram-se as piores expectativas”.

Em resposta a esta posição da EMAS, a concelhia da CDU de Beja vem em Nota de Imprensa dizer que a primeira preocupação da anterior administração “foi a de garantir que a maioria das freguesias do concelho teriam de ver melhoradas as condições de abastecimento e de qualidade da água sem que com isso se onerasse os munícipes com o aumento do custo da tarifa”.

E adianta que “nos últimos quatro anos a EMAS não só não aumentou as tarifas como intervencionou a rede pública em baixa nas freguesias de Baleizão, Cabeça Gorda, Salvada, Albernoa, Mombeja, Santa Vitória, Trigaches e ainda em Beja e no Penedo Gordo”.

A CDU lembra os investimentos feitos, por exemplo, na redução de perdas na rede pública, “cujo cenário era caótico em 2013”. Esta situação, acrescenta a CDU, “conduzia a EMAS para custos elevadíssimos com aquisição de água à empresa Águas Públicas do Alentejo”.

A CDU desafia a actual administração da EMAS, a “dar seguimento à linha estratégica e orientadora que vinha sendo seguida, tomando como princípio a água como bem público, de uso universal, de qualidade, fora da lógica economicista do interesse privado”.

Vítor Picado, membro da concelhia de Beja da CDU, considera o comunicado da Administração da EMAS “deplorável”.