Enfermeiro “Marinho” desaparecido há quase um mês

A família continua sem ter notícias de José António da Cruz, de 65 anos, enfermeiro do Departamento de Psiquiatria e Saúde Metal do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja. Há quase um mês que se encontra desaparecido.

“Marinho” como é conhecido na região, saiu de casa no dia 31 de agosto, pelas 7h15 para ir trabalhar. Nunca mais voltou. Foi visto pela última vez às 15h30 horas, altura em que terminou o turno no hospital de Beja. Terá saído a pé da unidade de saúde.

Nesse dia, vestia uma ‘t-shirt’ cinzenta, calças de sarja azuis e calçava uns ténis brancos com riscas azuis. “Foi uma segunda-feira, como tantas as outras. A rotina foi a mesma, a única diferença foi que saiu para ir trabalhar e não regressou”, começa por dizer ao à Rádio Pax, Francisca Raposo, de 68 anos, mulher do enfermeiro desaparecido.

Confrontada com a possibilidade de suicídio, Francisca afirma convicta: “Não sei o que aconteceu, mas se o meu marido estivesse na sua perfeita consciência mental jamais faria uma coisa destas”.

Na origem do desaparecimento poderá estar uma “grande depressão” de que António “sofria há muito tempo e que não aceitava”. Em julho terá interrompido a medicação que tomava, sem que alguém se tivesse apercebido. “Ele andava muito perdido, esquecia-se das coisas, não sabia o que andava a fazer, a voz falhava e ultimamente estava um bocadinho agressivo”, salienta a mulher. Segundo Francisca Raposo, a depressão “foi o resultado de tudo o que aconteceu ao longo da vida”.

 José António da Cruz é enfermeiro no serviço de psiquiatria do Hospital de Beja, “mas ele não gostava. Dizia que era um serviço muito parado, em relação ao que estava habituado. A grande paixão dele era cardiologia”, onde exerceu durante muitos anos, e de onde foi transferido para o serviço de psiquiatria. “Estava à espera de cumprir os anos de serviço para se poder reformar, já no próximo ano”.

A família, em desespero, culpa as autoridades pela ausência de notícias ao longo do último mês. “Não vejo interesse nenhum na Polícia Judiciária (PJ), nem na Guarda Nacional Republicana (GNR) em encontrar o meu marido”, diz Francisca Raposo.

Até ao momento, revela, a PJ apenas pediu algumas informações sobre as contas bancárias [de António], sobre as relações com a mulher, os filhos e os colegas. “Uns dias depois do desaparecimento, uns familiares e amigos juntaram-se para o ir procurar”. Percorreram toda a zona do Penedo Gordo, localidade onde reside o casal, “e não viram nenhum militar da GNR. Avistaram um jipe, mas dirigia-se para a Praia Fluvial dos Cinco Reis”.

Francisca Raposo está revoltada e refere que as autoridades demonstram “desinteresse” pelo caso. “Ligam-me a perguntar se há novidades. Apenas isso”. Diz ter questionado o inspetor responsável pela investigação sobre o facto de não lhe pedirem nenhuma peça de vestuário, a resposta foi “que andavam à procura do cadáver”. Ao “Diário do Alentejo”, mostrou-se surpreendida com a afirmação: “O corpo ainda não apareceu”, refere. “Já cheguei a ter de ser eu a ligar para a Polícia Judiciária para saber algo, porque não me dizem nada.

O percurso profissional do enfermeiro passou também pelo serviço de cardiologia do Hospital de Beja, pelo bloco operatório e pela seleção nacional de futebol., tendo integrado os quadros da Federação Portuguesa de Futebol. Para além disso, José António Cruz foi também massagista do Desportivo de Beja, do Futebol Clube Castrense e da Associação Cultural e Desportiva do Penedo Gordo, entre outros clubes da região.