Ter jogos de sorte ou azar dentro de um espaço dedicado à prestação de cuidados de saúde não é compatível com a missão de uma instituição que deve promover a saúde, prevenir comportamentos aditivos e proteger o bem-estar das pessoas. É esta uma das razões apresentadas pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo para justificar o encerramento do Bazar do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja.
O espaço encerrou definitivamente a 30 de setembro, numa decisão que, segundo a ULSBA, já vinha do anterior Conselho de Administração e foi previamente ponderada e comunicada.
A administração reconhece, contudo, a importância que o Bazar teve ao longo de muitos anos na vida do hospital. Destaca o trabalho das pessoas que estiveram ligadas ao espaço, o serviço prestado a utentes, acompanhantes e profissionais e as relações criadas ao longo do tempo.
Mas a ULSBA considera que algumas das atividades ali desenvolvidas deixaram de estar alinhadas com os princípios da instituição. Além da disponibilização de jogos de sorte ou azar, a administração refere também a comercialização de produtos que não se enquadravam no âmbito de exploração do estabelecimento.
O encerramento não significa, porém, o desaparecimento deste tipo de serviço dentro do hospital. Está já a ser preparada uma alternativa com um ponto de venda de artigos úteis e uma cafetaria, num espaço que a administração pretende mais moderno e adequado às necessidades de quem passa diariamente pela unidade hospitalar.
A mudança faz ainda parte de uma intervenção mais ampla. O Hospital José Joaquim Fernandes prepara a requalificação e humanização do hall de entrada e da zona das Consultas Externas.
O objetivo passa por reorganizar aquela que é uma das principais portas de entrada do hospital, facilitando a circulação e orientação dos utentes e criando melhores condições de conforto, acessibilidade e funcionalidade.
Fecha-se, assim, um espaço com muitos anos de história no Hospital de Beja. No seu lugar, a ULSBA quer criar um novo serviço e deixa uma posição clara: dentro de uma unidade de saúde, não deve haver lugar para atividades que possam incentivar comportamentos aditivos.