Leonor D’Argent: Sobre o 25 de abril

Cumprimento os ouvintes e colaboradores da Rádio Pax,

Porque a liberdade, como o sol, quando nasce é para todos, a Iniciativa Liberal voltou a descer a Avenida da Liberdade, com uma marcha que suscitou ainda mais indignação nos partidos de esquerda e nas respetivas associações satélite – é que, este ano, além de um partido que recusa claramente o rótulo de partido de esquerda ter comemorado o 25 de abril, fê-lo ao lado do povo ucraniano, representado pela Associação dos Ucranianos em Portugal e pela embaixadora da Ucrânia em Portugal.

Além de cânticos como “Não é minha/ Não é tua/ É de todos esta rua”, ouviram-se na marcha da Iniciativa Liberal cânticos como “Diz “não” à invasão, o povo ucraniano é nosso irmão”. Foi uma verdadeira afronta para partidos que preferem ser a voz de Putin a ouvir a voz de Zelensky no Parlamento, e preferem os velhos tempos da União Soviética aos novos tempos da União Europeia.

As comemorações do 25 de abril de 2022 foram especiais porque ajudaram a iluminar a política em Portugal, trazendo luz a contradições que há tanto tempo se tentavam manter na sombra.

Desde que começou a guerra na Ucrânia, o Partido Comunista Português tem mantido a sua postura habitual: a postura de simpatizar com, ou, pelo menos, recusar condenar regimes autoritários, desde que estes se aproximem, de alguma forma, das posições ideológicas defendidas pelo PCP. Os poucos regimes cujas posições ideológicas se aproximam das do PCP têm, aliás, sido regimes autoritários e ditatoriais, o que poderá ser considerado uma coincidência por quem nelas queira crer.

Como é possível que aqueles que se acham donos da liberdade e da democracia sejam os primeiros a negar a agressão russa à Ucrânia, a manter distância do apoio firme a um povo agredido? E como é possível que tantos, especialmente em Beja, continuem a fingir que não veem estas contradições que são tão claras?

Uma nota final para recordar que não há mesmo donos do 25 de abril, nem dos valores da liberdade ou da democracia, e que todos os que defendem estes valores podem e devem celebrar o 25 de abril como a data que libertou Portugal de uma ditadura e o 25 de novembro como a data que impediu que o país caísse noutra.

Despeço-me dos ouvintes e equipa da Rádio Pax, desejando a todos muita saúde e ânimo.

Leonor D’Argent

Assessora do IL na Assembleia da República