Mértola e Serpa contra possível transferência do Campo de Tiro de Alcochete

As câmaras de Mértola e Serpa e uma associação manifestaram-se hoje contra a possível deslocalização do Campo de Tiro de Alcochete, caso funcione nos mesmos moldes, embora o Governo tenha garantido que não há ainda uma decisão.

A posição consta de um comunicado conjunto enviado à agência Lusa pelos dois municípios alentejanos e pela Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM), no distrito de Beja.

No documento, a Câmara de Mértola, gerida pelo PS, revelou que, após várias diligências, recebeu “finalmente uma comunicação oficial do Gabinete do Ministro da Defesa”, datada de terça-feira, sobre o assunto.

“É indicado que não existe, até ao momento, qualquer decisão tomada relativamente à localização de um futuro Campo de Tiro e que, na fase de consolidação dessa decisão, as autarquias abrangidas serão contactadas”, adiantou.

Assinalando não foi envolvida em qualquer discussão e que desconhece os detalhes desta eventual mudança, o município de Mértola salientou que as restantes entidades no território, nomeadamente a Câmara de Serpa, gerida pela CDU, também não foram contactadas.

O comunicado surge dias depois da divulgação de notícias sobre a eventual transferência do Campo de Tiro para esta zona alentejana, devido à construção do novo Aeroporto de Lisboa, em Alcochete.

As entidades subscritoras alertaram que a mudança terá “impactos diretos e indiretos irreversíveis no desenvolvimento ambiental, ecológico, cultural e social da região”, dando como exemplo a contaminação dos solos e das águas e a poluição sonora e luminosa.

“Um projeto militar experimental desta magnitude, cuja informação pública é ambígua e resulta num desconhecimento sobre os seus reais impactos, deverá causar efeitos profundos em estruturas ambientais de elevado valor e classificação no âmbito da Rede Natura 2000”, vincaram.

Segundo as entidades, o território tem “um dos principais ecossistemas de biodiversidade do país e da Península Ibérica”, com “forte papel na preservação de espécies ameaçadas”, como o lince ibérico ou o abutre-preto, entre outras.

“O ruído proveniente das operações militares poderia interferir nas rotinas de nidificação, alimentação e migração de aves e outras espécies, causando ‘stresse’ e deslocamento das populações para áreas menos adequadas à sua sobrevivência, assim como causaria distúrbios à produção pecuária com prejuízos previsíveis na sua produtividade”, ilustraram.

Lembrando que, “na área de influência, localiza-se ainda o Centro de Estudo da Erosão Vale Formoso, com a sua relevância para a investigação e sensibilização ambiental”, as entidades frisaram que os impactos provocados pela transferência “são contraditórios à atuação” deste centro.

Entre outros exemplos, sublinharam ainda que está em curso a criação do primeiro Geoparque Transfronteiriço do Vale do Guadiana e Província de Huelva, advertindo que o processo pode vir ser inviabilizado pela mudança do Campo de Tiro.

No comunicado, as duas câmaras e a associação assumiram estar “frontalmente contra essa possibilidade” de transferência da infraestrutura militar para a zona de Mértola, caso “mantenha o uso que atualmente tem em Alcochete”.

Desta forma, as três entidades no território exigiram ser “parte integrante deste processo”, uma vez que, até agora, não foram envolvidas “em qualquer discussão ou tomada de decisão sobre esta matéria”, desconhecendo “os detalhes desta eventual mudança”.

“O território em causa é de elevado valor ambiental e patrimonial, e qualquer decisão que impacte a qualidade de vida da população e os seus valores culturais e naturais, deve ser amplamente debatida com as entidades locais e com os cidadãos”, acrescentaram.

Rádio Pax / Lusa

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