Opinião: Aldo Passarinho

Universidade Politécnica em Beja

O convite, para esta crónica de opinião, coincidiu temporalmente com a minha assinatura de uma“Iniciativa Legislativa de Cidadãos” com o propósito de “valorizar o Ensino [Superior] Politécnico nacional e internacionalmente”. Independentemente do seu sucesso, acredito nos seus objetivos e subscrevo os dois temas objeto da iniciativa.

Se um dos temas é a possibilidade dos Politécnicos poderem “outorgar o grau de doutor”, o que devidamente temporizado poderá tornar-se uma realidade já prevista; o segundo, prende-se com a possibilidade de alteração, na designação dos “Institutos Politécnicos”, para: “Universidades Politécnicas”. Assim, poderíamos passar a ter uma “Universidade Politécnica de Beja”.

A nível internacional é comum a designação: “Universidade Politécnica”;adotá-la, significaria facilitar a comunicação e as relações internacionais, de forma orgânica. Em particular, na atração de[mais] estudantes e parcerias. É certo que já as temos! Mas facilitaria.

Alterar a designação iriatambém induzir outra discussão“colateral”. Refiro-me à equiparação das carreiras do ensino superior politécnico e universitário. Isto, no que se refere ao número de horas “máximas”de lecionação em cada um dos subsistemas. As duas carreiras têm 35 horas de trabalho! No entanto, no que se refere à afetação de horas letivas, um professor do ensino superior politécnico leciona mais 25% do tempo. Vamos imaginar que se equiparavam as carreiras, neste aspeto…

Se por um lado, seria necessário contratar mais 25% dos professores que atualmente asseguram o serviço letivo, no ensino superior politécnico;em simultâneo, libertavam-se esses professores de 25% das horas letivas que, finalmente, teriam tempo para se envolverem em atividades de investigação e prestação de serviços à comunidade. Criávamos mais emprego qualificado, e seguramente mais dinâmica socioeconómicae cultural.

Alterar a designação de “Institutos” para “Universidades Politécnicas”, irá permitir discussões colaterais, que interessam à academia, mas também às cidades onde os institutos estão sedeados . Em ano de eleições autárquicas, esta será seguramente uma bandeira programática interessante nas cidades que acolhem o Ensino Superior Politécnico.

Aldo Passarinho

Professor do Instituto Politécnico de Beja