Opinião: Fernanda Pereira

O Dia do Trabalhador (remoto/híbrido/clássico)

Comemora-se no próximo fim de semana, 1 de maio, o Dia do Trabalhador. Nunca antes, a palavra trabalhador teve tantos significados. A clássica relação trabalhador/chefe, empregado/dono da empresa, é um quadro com uma paleta de cores imensa.

No século XIX, a  HYPERLINK  “https://pt.wikipedia.org/wiki/Jornada_de_trabalho” \o “Jornada de trabalho” jornada de trabalho diária passava as para  HYPERLINK  “https://pt.wikipedia.org/wiki/Jornada_de_oito_horas” \o “Jornada de oito horas” oito horas. Pela primeira vez foram criados códigos do trabalho em vários países do mundo. Hoje, é preciso reinventar o trabalho. A pandemia trouxe-nos a necessidade de distanciamento social no trabalho. As empresas criaram o teletrabalho, e, de repente caíram muitas das regras que os trabalhadores e as empresas se tinham imposto a si próprios (horário, local de trabalho, dress code, confidencialidade e o sigilo profissional, etc.)

Novas profissões surgem ou impõem-se. Entre estas destacam-se Analista de IOT (Internet das coisas), Analista de Big Data, Gestor de tráfego de Drones, Peritos Digitais. Outras, deixam de ser tão procuradas, por exemplo profissionais de telemarketing, motoristas, apoio administrativo e trabalhadores de armazém. 

Para a história, ficarão apenas dois ou três aspetos que constituem enorme mudança de paradigma nas relações de trabalho. A primeira, a possibilidade de trabalhar fora do escritório, sempre (trabalho remoto ou teletrabalho) ou alguns períodos (trabalho em sistema híbrido) da semana ou do mês, ou até do ano. Hoje constroem-se escritórios com base nesta ideia, nem todos os funcionários estarão lá em simultâneo.  Provavelmente a grande maioria das reuniões, que implicavam várias horas de deslocação, irão realizar-se por videoconferência. Outra coisa nova é que de repente temos um tempo livre, que não nos tínhamos dado conta que existia, ou não? 

Muitos de nós sentem que o teletrabalho é tão ou mais exigente que o trabalho clássico. Mais importante que a produtividade, são as boas práticas. Urge introduzir no código de trabalho regras muito claras relativamente ao teletrabalho (funções, relações laborais, hierarquias, responsabilidades), bem como tipificar de forma clara os novos crimes laborais (“espionagem industrial”, assédio, deslealde, exploração, etc.).

Em jeito de balanço importa realçar que o trabalho remoto reforçou a necessidade da ligação emocional dos trabalhadores com os colegas e com a empresa. E família? Deixamos este aspeto para outra reflexão.

Fernanda Pereira

Professora no IPBEJA