Opinião: Helena D’Aguilar

Em altura de eleições autárquicas, todos os caminhos vão dar sempre a mais qualquer coisa, mais obras, mais empregos, mais apoios e até mais sorrisos, à população.

Nestas alturas as redes sociais inundam se daquilo que é e daquilo que não é, surgem

fotografias sobre projetos que nunca se realizaram, mas que são agora apontados como obras a fazer no futuro, e assim se criam e geram expectativas na população, arrastando para o campo da ilusão e não da realidade.

É urgente que a população desperte, sobretudo a mais jovem, que usa mais as redes

sociais, para uma realidade virtual que não é verdadeira, e é fortemente incrementada em época eleitoral, manipulando muitas vezes a informação e a opinião da população.

Durante a Pandemia, o digital tornou-se cada vez mais presente nas nossas vidas, e trouxe sem dúvida , esta realidade virtual, que nem sempre é real.

Precisamos encerrar de forma gradual, o capítulo da Pandemia Covid 19,e com isso

aprender a gerir o legado deixado pela mesma.

A Pandemia deixou no mundo marcas sociais, económicas, culturais, de saúde, entre

outras, que vão perdurar em cada um de nós, e em cada uma das Instituições sejam elas, privadas ou públicas.

Para o futuro, cabe ao Governo e às Autarquias Locais, criarem medidas de apoio, que não se sobreponham, mas que possam se complementar.

O Governo tem neste momento, fruto das negociações em Bruxelas, um Programa de

Resiliência e Recuperação, com áreas estratégicas de intervenção, nomeadamente, a

habitação, a educação, os equipamentos, a saúde , as desigualdades e os jovens.

Apoiar a recuperação do país, no seu todo, é o objectivo principal do Programa.

Um País que precisa de se reinventar e de se capacitar, para não cair numa crise profunda, sem precedentes.

E aqui as Autarquias têm um papel fundamental, são elas obrigatoriamente, as

responsáveis por efetuar um diagnóstico da realidade de cada Concelho, de cada

Freguesia, e assim mapear a realidade, só assim, será possível, identificar projetos de

apoio e garantir que o financiamento, tem um destino seguro e com retorno.

Caso contrário, podemos ficar sem os apoios necessários e completamente isolados, numa crise financeira sem igual.

Verdade que Portugal, já beneficiou de outros quadros comunitários, e cada uma das

regiões do País, já foi beneficiada com apoios financeiros em áreas muito diversas,

contudo, a Pandemia trouxe, para a agenda dos fundos comunitários, realidades que nunca foram prioridade, e agora são. É essa diferença, que nos faz perceber a importância deste PRR, como uma oportunidade única.

Esta é a altura que não podemos deixar passar a oportunidade de captar para a nossa

região, fundos deste PRR, e isso é responsabilidade de quem governa as autarquias

locais, é responsabilidade dos decisores políticos.

Este PRR pode ser um trampolim para as Autarquias, que tiverem capacidade técnica e decisores políticos, à altura do mesmo.

Esperamos que nas próximas eleições autárquicas , a população tenha a capacidade e a lucidez de compreender que os próximos anos, a governação nas autarquias será um desafio enorme e exigente, que só deve estar ao alcance de alguns, dos que  sabem e dos que fazem, senão corremos o risco de hipotecar o futuro das regiões e da população.

Helena D’Aguilar Directora Geral Associação de Beneficência Selmes e Alcaria