Opinião: Jorge Barnabé

MASSA CRITICA

A nossa região precisa de assentar as políticas de desenvolvimento nas pessoas. Sem pessoas não há desenvolvimento, é preciso e é urgente repovoar o território, criar oportunidades de emprego, de habitação, de educação e de saúde aliciantes à fixação e à atração de população.

E sobretudo é preciso que se desenvolva a massa crítica na região, para acrescentar valor e participação que reforce a qualidade da cidadania e eleve os graus de exigência, espelhando nas ideias e nos projectos a execução de um plano de desenvolvimento integrado, reflectido e concretizável.

E a dinamização de massa crítica é subjacente à capacidade de intervenção na sociedade, de valorização das pessoas e das suas opiniões.

É por isso fundamental que não só se apregoe a importância da massa crítica como, sobretudo e antes disso, se reconheça o direito à opinião de todos e à diferença de pensamento.

Participar refelctindo sobre a sociedade é uma vantagem das sociedades modernas e progressistas, não é uma fatalidade, não é um desrespeito por quem exerce poder e governa em qualquer dimensão ou organização.

A aceitação da critica e do pensamento diferente devem ser entendidos, sempre que construtivos, como uma mais valia na adequação das instituições públicas à pretensão da sociedade. É a aceitação social que valida a execução das decisões políticas e administrativas.

Os modelos esgotados, mas ainda assim muitas vezes repetidos, de limitação do respeito pela opinião contrária, de catalogação de interesses a quem critica, é uma diminuição da democracia em si e é um processo redutor dos exercicios do poder e da dignidade social dos cidadãos.

A convivência com a crítica é um sinal de evolução da sociedade, é uma resposta inteligente à necessidade de desenvolvimento de novas ideias, que tanto como dignifica quem participa, engrandece quem aceita a diferença.

Temos muito para evoluir na nossa sociedade, tornando-a mais justa e equilibrada, procurando fazer dos cidadãos o centro do pensamento e transformar o designio do desenvolvimento numa causa comum.

Precisamos de gente, precisamos de pensamento critico e precisamos de muita humildade…

Jorge Barnabé

Presidente do Observatório do Baixo Alentejo