Opinião: Jorge Pulido Valente

A urgência de políticas públicas de imigração!

A crise demográfica é o mais grave e complexo problema estrutural do Baixo Alentejo para a resolução do qual não tem havido respostas de políticas públicas, se exceptuarmos as ineficazes medidas de apoio à natalidade que algumas autarquias têm tomado.

Se há alguns anos atrás, com desemprego muito elevado em consequência de uma economia estagnada e de deficit de investimento na agricultura, no turismo e na construção civil, falar em imigração não fazia sentido, hoje com a falta de mão de obra a sentir-se transversalmente em todos os sectores, é indispensável e urgente lançarem-se políticas públicas de captação, fixação e integração de imigrantes que, por um lado, satisfaçam as necessidades de capital humano e que, por outro, favoreçam a tão desejada renovação demográfica e geracional.

Embora o pilar do emprego seja imprescindível neste processo de repovoamento, não é de modo nenhum o único, pelo que se torna indispensável enquadrá-lo num conjunto de outras políticas públicas, devidamente coordenadas e convergentes, que, simultaneamente actuem nos outros pilares: a habitação, a educação, a integração socio cultural e o acesso a serviços de interesse geral.

Sobretudo, tem que haver proactividade por parte dos poderes central, regional e local, em parceria estreita com os empresários, no sentido de prepararem antecipadamente as condições para o acolhimento de imigrantes, através de processos devidamente organizados em que estejam previamente garantidos o contrato de trabalho, o acesso ao primeiro alojamento e o acompanhamento social da fase de instalação.

Sem imigrantes não haverá nem repovoamento nem crescimento económico sustentado, dado que sem capital humano não teremos pessoas para ocupar e fazer funcionar o território.

Os talentos altamente qualificados que consigamos atrair, ainda que apenas temporariamente, são muito importantes para a dinâmica inovadora nos territórios rurais, mas não resolvem o problema de falta de mão de obra na agricultura, turismo e construção civil e o do repovoamento

Jorge Pulido Valente

Técnico Superior na Câmara Municipal de Mértola na área do Planeamento e Desenvolvimento