Opinião: José Miguel Almeida

O Vinho de Talha

O Vinho de Talha está na moda. É frequente ouvir esta frase entre os especialistas do setor, e também o consumidor tem vindo a aperceber-se que, desde há uns anos, se voltou a falar desse produto ancestral, de forma mais insistente.

Permitam-me uma pouco de história recente: em finais da década de noventa do século passado, teve origem em Vila de Frades, no Concelho de Vidigueira, um movimento de dinamização desta técnica milenar, a qual, nos locais tradicionais de produção do Alentejo, nunca havia sido abandonada. Contudo, foi necessário esperarmos mais de uma década para que o Vinho de Talha do Alentejo pudesse ser certificado como DOC.

Desde então, dezenas de produtores de vinho em todo o Alentejo têm vindo a certificar os Vinhos de Talha DOC. Independentemente da dimensão da produção, muitos destes têm feito jus à sua história, recuperaram adegas tradicionais, construíram novos espaços e constituem hoje um dos importantes pontos de interesse no cenário enoturístico da região.

Como em todos as atividades, existirão certamente excessos de “inovação” que originam produtos vínicos que não podem ser apelidados de Vinho de Talha. Cabe às entidades certificadoras garantir o cumprimento das normas e, sobretudo, não permitir que atividades momentâneas ligadas a oportunidades de negócio pontuais possam ostentar designações que não correspondem à realidade.

O genuíno Vinho de Talha, esse irá perdurar por muitos anos, pois a tradição e a cultura do Alentejo se encarregarão de o manter bem vivo!

José Miguel Almeida

Presidente da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito