Opinião: José Miguel Almeida

Agricultura e Sustentabilidade

Os tempos que vivemos, amplamente marcados pelo confinamento, mais teórico do que prático, que o nosso país atravessa, permitem retomar a abordagem a um tema frequentemente discutido no setor agrícola: A Sustentabilidade.

Se entendermos a Sustentabilidade como sendo a capacidade de satisfazermos as nossas necessidades atuais sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades, devemos obrigatoriamente focar-nos nas múltiplas dimensões que este conceito encerra: Social, Económica e Ambiental.

Podemos até, no atual contexto pandémico, considerar a dimensão sanitária da Sustentabilidade, que bastante tem marcado e alterado a vida das organizações e das pessoas ao longo dos últimos meses.

No entanto, e no que ao setor agrícola diz respeito, assistíamos, no período pré-COVID, a um aumento avassalador de uma ótica de Sustentabilidade exclusivamente focada na dimensão ambiental, com uma colagem muito forçada e perigosa entre Sustentabilidade e Agricultura Biológica.

É certo que a Agricultura Biológica é um método de Produção Sustentável do ponto de vista ambiental, mas também a Produção Integrada é Sustentável e não tem merecido o devido reconhecimento e mediatismo.

Talvez o período COVID sirva para percebermos a importância das Dimensões Social e Económica do Setor Agrícola, um setor que não parou, para bem de todos nós.

Talvez a estratégia da União Europeia designada “Farm to Fork” faça perceber de forma mais generalizada que a Produção Sustentável de bens alimentares somente pode beneficiar o “Fork” se não matar a “Farm”, ou seja, através da Sustentabilidade Económica dos agentes setor.  

Sendo a crise económica e social a grande preocupação mundial, imediatamente a seguir àquela que á a maior crise sanitária global do nosso tempo, como refere a OMS, seria um erro não valorizar convenientemente o papel do setor agrícola.

José Miguel Almeida

Presidente da Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito