Opinião: Marcelo Guerreiro

O PAÍS E A IMPORTÂNCIAS DAS PEQUENAS COISAS, QUANDO ELAS SE TORNAM GRANDES.

Conhecemos a realidade das nossas populações e das nossas terras como ninguém.
Por elas lutamos para concretizar respostas e oportunidades.
Por elas trabalhamos, reivindicando mais ideias, projetos e iniciativas para os problemas de sempre, os desafios do presente e o caminho que queremos para o futuro.
Há um país que nem sempre conta com a atenção de quem decide e dos media, mas por vezes a realidade torna-se incontornável.
É o que está a acontecer em Odemira, apesar do esforço da autarquia, como já aconteceu tantas vezes no passado com outras situações em que as respostas locais são insuficientes para a dimensão dos problemas e dos desafios.
Quem não se lembra do sobressalto com os incêndios e com tantas outras realidades para as quais o país desperta em sobressalto.
Há todo um país com pequenas questões para a escala dos grandes centros urbanos que está cheio de situações que se podem transformar em grandes.
Será necessário a emergência, a tragédia ou o não há volta a dar para que tenhamos respostas atempadas?
Serão necessárias reportagens nos media para que a realidade exista e tenha as respostas possíveis, sustentadas e eficazes dentro das disponibilidades do país.
As cercas sanitárias como outras tragédias paras as dinâmicas locais eram, são e devem ser evitáveis, se houver atenção ao que dizem os que têm proximidade às pessoas e aos territórios.
Portugal não pode viver em sobressaltos perante realidades que insistem em ignorar para que, depois, quase tudo fique na mesma.
Nem estes territórios de baixa densidade, de investimento insuficiente e de oportunidades aquém das necessidades podem continuar a ter atenção e recursos intermitentes.
O país do pisca-pisca, em que a atenção é quase sempre para o litoral fortemente povoado, não é sustentável e nunca será coeso.
Estará sempre em sobressalto, na desgraça ou perante uma das maiores evidências da pandemia.
Em comunidade, para os resultados globais, até como nação, todos contam e todos são importantes.
É a soma de cada um que perfaz o todo.
Sabemos que não haverá recursos para responder de imediato a tudo, mas é preciso fazer caminho, de forma sustentada, tendo presente que há coisas que se não forem feitas terão resultados muito negativos e sobressaltam o país.
Sabemos que a manta é curta para o país, mas não podemos continuar a estar sujeitos a uma atenção geral que alterna entre a indiferença e os ataques às nossas realidades rurais, descontinuadas, diferentes, sem nunca apresentarem alternativas.
Aqui há gente, há quem trabalhe, há território e há ambição de futuro.
Por vezes, falta atenção e recursos, até que a realidade seja parte da agenda nacional.
Não havia e não há necessidade de ser assim.

Marcelo Guerreiro

Presidente da Câmara Municipal de Ourique