Opinião: Maria de Jesus Ramires

Caras e caros ouvintes

Após um dia de trabalho na defesa dos Direitos das Crianças e Jovens, arrepio-me ao ouvir e ver as noticias sobre um conflito que há anos e anos se vive entre Israel e Palestina. 

Um desequilíbrio que mostra a face do horror, da morte e da destruição.

Não foram só as imagens de destroços de habitações que me chocaram. Essas, revelam a destruição física, um dia darão origem a outras, mais modernas, inovadoras… 

O que me chocou foram os rostos assustados de crianças indefesas, abandonadas à sua sorte, rostos de medo, dor e sofrimento. De olhos azuis a olhar o céu, um olhar vazio, um vazio sem retorno. Lágrimas escorrem pelas faces de pele fina, brilhante, lágrimas de criança…

Imagens de quem estava a viver o horror de operações de destruição, de ódio, simbolizados por bombas e mísseis … uma escalada de violência.

A jornalista anuncia o número de vitimas mortais mas, com embargo na voz, afirma que 60 crianças já tinham perdido a vida … mas o numero não parou.. Vidas ceifadas. Destruição de sonhos. Uma sociedade sem futuro…

Um povo martirizado pelo abuso e bloqueio de um estado opressor. 

 Mas que crimes cometeram estas crianças para serem condenadas como se fossem terroristas?

Crianças são crianças! As crianças têm de ser protegidas em todas as situações e nunca poderão ser expostas ou vítimas de violência e sobretudo desta violência gritante.

Onde está a Convenção sobre os Direitos da Criança aprovada desde 1989 pela Assembleia Geral das Nações Unidas? Não basta dizer que tem de se cumprir é preciso fazer cumprir os direitos fundamentais das crianças e penalizar quem não os cumprir.

Sem pais, sem teto, sem água, sem luz, sem escolas, sem sonhos, são crianças à deriva à procura de tudo, à procura do nada…

O conflito pode, supostamente, ter cessado, mas as crianças, que foram vitimas desta escalada de violência e sobreviveram, ficarão psicologicamente afetadas, para sempre!

O povo palestiniano quer paz, quer a sua Pátria, quer criar os seus filhos com amor e orgulho.

Maria da Jesus Ramires

Presidente da CPCJ de Beja