Opinião: Mariana Aiveca

A luta dos trabalhadores e trabalhadoras da Altice contra o despedimento coletivo de 300 trabalhadores merece todo o apoio.

Em tempos de tanta incerteza como estes que vivemos onde a crise social irá atingir dimensão completamente imprevisível não podemos permitir que uma empesa com lucros e que em 2020 beneficiou de 11 milhões de euros de fundos comunitários se arrogue no direito de jogar com a vida e as legitimas expetativas das pessoas.

A violência utilizada na carta de despedimento, bem como a forma como foi desativado acesso a computadores, telemóvel, ao portal e a qualquer tarefa, deixa claro que para descartar trabalhadores vale tudo.

A Altice mandou às malvas o compromisso que tinha assumido em 2015 de não fazer despedimentos quando ficou com a antiga Portugal Telecom. O Governo deve assumir a responsabilidade de travar este despedimento coletivo.

 O Grupo Altice tem aproximadamente 20 empresas, desde empresas de construção de rede de fibra ótica, a lojas e callcenter, ou outras como a MEO Energia ou a MEO Blue Ticket. Este universo de empresas, segundo números divulgados pela Altice mas que carecem de validação, integra cerca de 12 mil trabalhadores diretos e 15 mil indiretos. Estes negócios têm crescido enquanto a PT tem sido desnatada dos seus ativos.

Este não é portanto um caso isolado e representa “ um balão de ensaio” para outras empresas que preparam uma vaga de despedimentos colocando ainda em maior estado de calamidade os trabalhadores e trabalhadoras.

Aqui no distrito de Beja estas empresas estão presentes, empregam pessoas e, devem assumir as suas responsabilidades sociais.

 É por isso premente travar este despedimento coletivo e alterar radicalmente a estratégica extractivista da administração da Altice.

Valorizar os trabalhadores e apostar no investimento sustentado na inovação e na disponibilização de um serviço público e realmente universal de telecomunicações para o país, resgatando para o Estado a rede básica capturada pela Altice (fruto da privatização ruinosa da PT) e que nunca devia ter deixado a esfera pública é imperioso.

Hoje como sempre estaremos lá “ Opondo o trabalho ao capital”

Mariana Aiveca

Ex deputada do Bloco de Esquerda