Opinião: Mariana Aiveca

Na cronica de hoje quero abordar um dos mais sérios problemas com que seremos confrontados num futuro muito próximo- A escassez e a qualidade da água.

Relembro que em Portugal o abastecimento de água é uma das conquistas da democracia. Em 1974 a cobertura era bastante baixa, hoje em dia é de 98,2%. Foi a democracia e o investimento público quepermitiramessa concretização.

Aqui no Alentejo os problemas de escassez adensam-se fruto do crescimento irresponsável da área de estufas, da agricultura intensiva e da gestão privada.

A barragem de Santa Clara esta há meses abaixo dos 50% da sua capacidade.A gestão entregue pela APA (Agência Portuguesa do Ambiente) à Associação de Beneficiários do Mira, que se permite cortar a água a pequenos agricultores e queria cobrar 13 mil euros à Junta de Freguesia de Santa Clara-a-Velha para manter o caudal ecológico e o espelho de água junto à aldeia, é um exemplo acabado de que a água é tratada como um negócio e não como um serviço publico, onde se pretende colocar o que é de todos ao serviço do lucro de poucos.

Por outro lado, assistimosà tentativa de oito municípios de presidência PS para entregar a distribuição da água em baixa (até á torneira) ao grupo Águas de Portugal, que está na agenda das privatizações desde os governos Sócrates.

Felizmente que esta aventura foi travada nas Assembleias Municipais de Castro Verde e de Beja, nesta última o voto da deputada do BE foi decisivo.

Foi também por proposta do BE na assembleia municipal de Beja que o acesso automático à tarifa social da água (taxa aplicada a quem tem maiores dificuldades) foi aprovada. Não se compreende que a tarifa social ainda não tenha sido aplicada.

Este é o momento de optar entre o desastre de consumir a água do Alqueva e do Mira na rega de culturas intensivas dominadas por transnacionais ou o abastecimento publico.

Na minha opinião as prioridades são:O abastecimento das populações em períodos de seca prolongada cada vez mais frequentes; o controlo publico e municipal da “água em alta” e distribuição “em baixa”, sem negócios privados nem Águas de Portugal.Porque á água é UM DIREITO HUMANO.

Mariana Aiveca

Ex. Deputada do BE