Opinião: Nelson Brito

O BAIXO ALENTEJO E O IMPASSE NA APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO DO ESTADO

Um cumprimento a todo o auditório da Rádio Pax.

Vivemos tempos políticos turbulentos em Portugal, num momento muitíssimo delicado, em que todos, absolutamente todos, incluindo, obviamente, os partidos políticos, deveríamos estar focados em constituir respostas fortes e assertivas aos problemas que se colocam na sequência da pandemia de Convid-19.

No momento em que falo, não há garantias de aprovação do Orçamento de Estado para o próximo ano. Estranhamente o PS está a ter muitas dificuldades em encontrar base de entendimento com os partidos à sua esquerda.

Mas o que interessa afinal às esquerdas? Será ter orçamento e governação à esquerda? Ou será, em alternativa, ter eleições e uma maioria à direita, para se poderem alimentar e subsistir politicamente?

A direita, por seu lado, ainda que desorganizada, está faminta de poder, o que foi visível na “passerelle” da tomada de posse da Câmara de Lisboa. Todos e mais alguns lá estiveram. Os que são, os que querem ser, os que já foram e, até, os que um dia podem vir a ser…

Entretanto, o país, os portugueses, ficam em suspenso, temendo os resultados de toda esta incerteza política, num momento crucial, onde deveríamos estar a trabalhar em cima de certezas.

E nós, baixo alentejanos, por cá continuamos…

Num pós Eleições Autárquicas em que o Partido Socialista, a nível nacional, obteve a seu melhor resultado eleitoral precisamente no Baixo Alentejo, com uma percentagem de 44% de votos.

Um resultado positivo, que permitiu ao PS presidir a 10 câmaras, a 10 assembleias municipais e a 47 juntas de freguesia na região, mantendo a sua representatividade nos dois primeiros órgãos autárquicos e aumentando a sua presença na liderança de juntas de freguesia na região.

Este é também um resultado que aumenta na responsabilidade do PS no Baixo Alentejo face aos grandes desafios que se colocam às autarquias lideradas por nós e ao todo da região.

Como todos percebemos, o Mundo, Portugal e o Baixo Alentejo, procuram responder, num contexto muito complexo, a um conjunto de desafios globais que colocam pressão sobre as pessoas, as organizações e a sociedades.

Estes desafios, que também se colocam ao Baixo Alentejo, devem ser assumidos e respondidos de forma integrada e transversal pelas entidades públicas e privadas, envolvendo os cidadãos nos diagnósticos e nas soluções dos problemas.

Para responder a estes desafios, são necessárias, no entendimento do PS Baixo Alentejo, políticas públicas potentes em áreas como o ciclo urbano da água, a cultura, os resíduos, as migrações, a habitação, a transição climática, a transição digital, a regionalização, a saúde e as acessibilidades.

Estas são para o PS do Baixo Alentejo as grandes áreas onde, nos próximos anos, devemos focar os nossos esforços, dando sequência à confiança dos eleitores depositada em nós em cada município e em cada freguesia.

Esperemos, pois, que a “poeira baixe”, que tenhamos um Orçamento do Estado para 2022 à esquerda, para que nos possamos focar naquilo que realmente importa.

E o que realmente imposta, para nós, é assumir definitivamente as nossas prioridades de forma realista e séria e encontrar soluções adequadas e que sirvam os interesses do Baixo Alentejo e dos baixo alentejanos.

Assim nos deixem, que nós cá estamos para o fazer!

Um abraço a todo o Baixo Alentejo que nos ouve a partir da emissão Rádio Pax.

Nelson Brito

Presidente da Federação Socialista do Baixo Alentejo