Opinião: Nuno Palma Ferro

Y = C + G + I + (X – IM)

Caro leitor/ ouvinte não se assustecom o título. Apesar de todos conhecerem a condição da minha profissão, esta fórmula é de fácil entendimento, pelo menos para alguns, e demonstra de uma forma bastante evidente a incapacidade do nosso concelho.

Estando naturalmente ainda mais alerta para tudo o que se passa por Beja, tenho estado dedicado a estudar o posicionamento do nosso concelho em diversas variáveis macroeconómicas no sentido de perceber que impacto realmente temos e qual deveríamos ter. Contribuímos para o país mais ou menos que os outros? Recebemos mais ou menos que os outros?

Ora bem, o PIB (Produto Interno Bruto)de um país resulta da soma do Consumo (C), do Investimento (I), dos Gastos Públicos (G) e da Balança Comercial que se resume na diferença entre as exportações (X) e importações (IM).

O atual executivo destaca com uma espécie de orgulho e de dever cumprido que o concelho de Beja contribui para a balança comercial portuguesa com um valor positivo aproximado de 100 Milhões de Euros. De facto,isto é fantástico! Muito podemos agradecer à agricultura que nos permite alcançar estes resultados. Não obstante, é importante perceber que tipo de retorno é que nós, habitantes do concelho de Beja, recebemos por números tão positivos.

O que se deve pensar é que o crescimento de uma região não depende só da balança comercial, mas igualmente do aumento do consumo, do investimento e gastos públicos, tal e qual a fórmula. Não é preciso ser professor de matemática para perceber que a contribuição que o nosso concelho dá ao país é, em proporção, muito superior ao que o país nos dá a nós. Há atualmente uma espécie de aproveitamento dos nossos resultados e uma escravização da nossa produção para andarmos a pagar despesas de outros.

O desafio da Câmara de Beja tem que passar obrigatoriamente pelo aproveitamento da balança comercial para estimular o aumento do investimento, do consumo, e exigir um maior gasto público.

Devíamos agradecer as potencialidades que a agricultura nos dá, a riqueza que nos cria, e aproveitar essa riqueza para investirmos no nosso concelho, para que todos os outros setores possam crescer, para que se aumente o emprego, para que se aumente o consumo e o investimento. Se isso não acontecer ficaremos eternamente resignados à condição de “concelho de 3º mundo”.

É importante que se perceba que dificilmente teremos outra oportunidade como esta. Deixemo-nos de nos preocupar com a nossa contribuição para a balança comercial nacional e procuremos é soluções para crescer com ela. De outra forma de que serve sermos os “reis da exportação” se o nosso território está cada vez mais pobre?

 Temos tanto para fazer…

Nuno Palma Ferro

Professor e candidato pelo PSD/CDS/PPM/Iniciativa Liberal/Aliança