Opinião: Pulido Valente

Despovoamento: maior problema estrutural. 1ª parte


O processo de despovoamentotem vindo a tornar-se cada vez mais rápido.
As políticas públicas de fecho de serviços e de desinvestimento no interior, têm contribuído para esta aceleração e para maiores dificuldades na resposta aos problemas que causa a perda demográfica.Existe o perigo de rutura nos territórios mais frágeis! 
Éurgente um Plano de Acção para a Mitigação e Adaptação à Crise Demográfica 
Algumas questões:
1 – Que atividades económicas poderão ser criadas no interior que criem postos de trabalho em quantidade e ajustados às formações dos nossos jovens?
2 – Como garantir mercado para empresas e produtos em territórios que perdem população e poder de compra a um ritmo elevado?

3 – Que vantagens poderemos oferecer às empresas e às famíliaspara se fixarem no interior, relativamente às que já lhes são oferecidas no litoral urbano ?
4 – Que critérios devemos utilizar para definir uma rede urbano rural que estruture estes territórios?
5 – Como se planeia, implementa, gere e sustenta financeiramente uma rede de transportes públicos que garanta a mobilidade às populações do interior e lhes permita movimentos pendulares de tempo e custo aceitável, de forma a poderem manter-se (ou fixar-se) em aglomerados onde não existem empregos e serviços públicos indispensáveis?
6 – Como se introduz nos critérios de planeamento e distribuição territorial dos equipamentos sociais, o factor de dinamização da economia social através do retorno dos reformados aos seus territórios de origem?
Medidas imediatas
1 – implementação da regionalização, com posterior extinção das CCDRs
2 – criação de uma equipa de missão, com mandato coincidente com o quadro comunitário, na dependência direta do 1º ministro 
3 – regionalização do Plano de Recuperação e Resiliência e do respectivo pacote financeiro
4 – elaboração por esta equipa do programa de políticas públicas de desenvolvimento regional e de uma agenda para a sua implementação, com medidas concretas a levar a cabo por cada ministério, em prazos definidos
5 – discussão pública, a nível nuts 3 do referido programa .
A oportunidade do Plano de Recuperação e Resiliência e da respectiva «bazuca» financeira não pode ser desperdiçada !

Jorge Pulido Valente