Opinião: Rui Garrido

O papel dos agricultores na mitigação das alterações climáticas

Os efeitos nefastos das alterações climáticas são uma realidade e a atividade humana é mais responsável do que os fenómenos naturais que por vezes ocorrem. Em relação a isso já poucas dúvidas existirão, tal como conclui o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas. Este documento veio confirmar as principais preocupações dos agricultores em relação a esta matéria. Que estão a sentir no campo, melhor que ninguém, os seus efeitos adversos. São bastante negativos e penalizadores os efeitos já verificados na atividade agrícola. E a nossa região, e todo o sul de Portugal, é uma das que sofre maiores e mais rápidos impactos. São assustadores os efeitos das alterações climáticas, mas é também assustador o desconhecimento existente, por parte de certos sectores da sociedade, em relação ao “diálogo” desde sempre existente entre os agricultores e a natureza, a proteção das espécies autóctones, num processo potenciador de sinergias, resiliência, gerador de vida e de alimentos, num ciclo regenerador para todas as espécies e garante de biodiversidade.

A ACOS – Associação de Agricultores do Sul e a FAABA – Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo – enquanto estruturas representativas dos agricultores alentejanos, têm vindo a trabalhar estas matérias de modo a gerar reflexões, partilha de informação, de conhecimento e de boas práticas. Os vários colóquios já realizados em diversas edições da Ovibeja são disso exemplo. É ainda exemplo do empenho da ACOS e da FAABA o facto de integrarem diversos Centros de Competências sobre esta temática, sendo em muitos deles, membros fundadores. Entre outros posso dar o exemplo do Centro de Competências na Luta Contra a Desertificação – CCDESERT – com sede em Alcoutim, o Centro Nacional de Competências para as Alterações Climáticas do Sector Agroflorestal e o Centro de Competências do Pastoreio Extensivo, entre outros.

No desempenho conjunto que todos devemos observar para proteção do ambiente e do nosso planeta, é importante ter presente que os agricultores são os principais guardiões da natureza e que sem a sua ação e comparticipação nunca haverá planos de atuação consistentes. E que a cultura do campo é muito mais que uma profissão ou um ato de produzir alimentos. É uma postura ética que tem por base a preocupação e o compromisso de dar e receber. Proteger para colher.

Rui Garrido

Presidente da ACOS