Opinião: Telma Guerreiro

Saúde Mental

Nunca estas duas palavras foram escutadas, ditas e escritas tantas vezes juntas e com elas os sintomas de ansiedade, depressão, fadiga e insónia, passaram a fazer parte do nosso quotidiano…

Sabemos que muitos destes sintomas vão desaparecer à medida que formos retomando a normalidade, porque na maioria das situações são uma reação natural ao contexto de incertezas em torno do vírus, ao medo de ser infetado, ao medo de infetar alguém, ao isolamento…mas também sabemos que a crise que vivemos, não é só de saúde pública, é também, económica e social, desocultando vulnerabilidades e silêncios. 

A resposta à crise obriga por isso a respostas de curto prazo, mas com uma orientação para o futuro de forma que o que seja decidido,hoje, signifique uma melhoria estrutural amanhã na vida das portuguesas e dos portugueses.

E é neste contexto multidimensional da saúde e de um pensamento a longo prazo que se abre uma janela de oportunidade para a área da Saúde Mental, tantas vezes prometida e tantas vezes preterida.

Pela primeira vez é uma prioridade a promoção do bem-estar psicológico, a criação e organização de respostas em saúde mental, a mudança de atitude face à doença mental, a promoção de literacia e combate ao estigma.

São sinais, o serviço de aconselhamento psicológico do SNS24, a duplicação de psicólogos nas escolas, a criação das equipas comunitárias de saúde mental em todas as regiões administrativas de saúde, a gratuitidade de antipsicóticos simples.

Mas não vai parar por aqui.

Porque o Plano Nacional para a saúde mental tem pela primeira vez um orçamento digno quer no orçamento do estado, quer no Plano de Recuperação e Resiliência.

É agora que vamos passar das palavras aos atos, garantindo, que somos capazes de “recuperar o país, começando por recuperar as pessoas” (Tiago Pereira, OPP).

Telma Guerreiro

Deputada do Partido Socialista