Opinião: Vítor Besugo

Todos nós temos nas nossas memórias de criança as histórias contadas pelos nossos pais, avós ou até vizinhas, histórias essas da tradição oral mundial ou da tradição oral local.

Passavamos os serões de verão ao fresco, e de inverno à lareira, a ouvir os mais velhos, e a entrar no imaginário do que era contado ou até muitas vezes cantado.

Todos os contos tinham uma moral, que pretendiam deixar um ensinamento a quem escutava, principalmente a nós que eramos crianças.

Hoje em dia as histórias que as nossas crianças escutam são bem diferentes, e chegam de forma também ela diferente, chegam pelo tik tok ou por outra qualquer rede social, e muitas vezes relatam histórias de palhaços assassinos ou outra qualquer criatura que queiram passar ou vender, certamente não trarão qualquer contributo para o desenvolvimento das nossas crianças, ao contrário do que acontecia antigamente.

Esta minha recordação das histórias que ouvia, vem no âmbito do evento que a freguesia de Beringel vai acolher nos próximos dias, em que alguns dos melhores contadores de histórias vão presentear as nossas crianças, e aqueles que um dia já o foram, com contos, cantigas, conversas e muito mais.

Haverá contos ao fresco, nos largos, nas ruas e à mesa, e até haverá um baile contado.

Esta iniciativa surgiu do melhor que Beringel tem, as suas gentes. Se temos entre nós beringelenses, a Cristina Taquelim, a Celina da Piedade, ou a Ana Santos, que se juntam à D. Raimunda, à D. Olivia Brissos, e a outras tantas contadoras de histórias da nossa terra, temos que estar ao seu lado e apoiar participando.

Sabendo da importância que estas narrativas têm no desenvolvimento da criança, depende de todos nós manter esta tradição,que passa de boca em boca e estreita laços entre gerações, regiões, países e continentes, como irá acontecer em Beringel nos próximos dias, não fosse o ato de contar histórias a mais antiga das artes.

Vitor Morais Besugo

Coordenador da Delegação Distrital de Beja da ANAFRE