Paulo Arsénio: Eleições fechadas

Tinha referido na minha crónica de 28 de dezembro de 2021, 1 mês antes das eleições, que a reprovação ainda na votação na generalidade do Orçamento Geral do Estado e das Grandes Opções do Plano para o ano de 2022 tinha sido uma tremenda irresponsabilidade por parte de quem votou contra, sobretudo à esquerda e que ninguém dos respetivos eleitorados percebia e aceitava a reprovação do Orçamento desprovida de razão e de fundamentos válidos.

Hoje insisto nessa vertente. Não para avivar a memória do que escrevi, mas porque as eleições me deram total razão na análise que fiz.

Ficou a saber-se que os portugueses não queriam eleições nessa altura a meio do mandato e que os mandatos são para serem levados até ao fim e não para serem interrompidos a meio por caprichos injustificados de partidos da oposição.

Mas para além disso os portugueses perceberam perfeitamente outras coisas:

– Que este era um dos melhores Orçamentos de Estado de sempre no que tocava a direitos para classe média; Que o Governo esgotou todas as possibilidades de o fazer passar evitando dessa forma que a Assembleia tivesse de ser dissolvida pelo Senhor Presidente da República; e que o Governo geriu globalmente muito bem a crise pandémica em Portugal até se comprada essa gestão com outros países do espaço europeu que partilhamos;  

Neste cenário não consigo entender o que esperavam as extremas-esquerdas em irem a votos nesta altura. Só vejo uma hipótese: Queriam mesmo dar o governo a Rui Rio, à Iniciativa Liberal e ao agora defunto CDS, deixando de poder defender marcas suas na governação do executivo de António Costa em funções.Deixando essas marcas e contribuindo para soluções para o país, poderiam beneficiar em outubro de 2023, altura em que estas eleições deveriam ter efetivamente ocorrido. Se assim tivesse sido provavelmente nem o PS teria conseguido maioria absoluta, nem os resultados do Bloco e do PCP teriam sido tão desastrosos quanto o foram. 

Até porque já sabiam de antemão Bloco e PCP, creio, que iriam ser cilindrados – com eleições agora – pelo Chega. De resto se há coisa que esta eleição provou é que no centro-esquerda só e unicamente o PS está em condições de suster o avanço das direitas populistas. Mais ninguém dessa área política terá força nas próximas décadas para fazê-lo. Estranho também foi ver Bloco e PCP a atacarem o PS durante toda a campanha como sendo o seu principal adversário, quando durante 6 anos foram o seu suporte. Ninguém entendeu, simplesmente porque não é entendível.

Numa campanha marcada por uma tónica única de todos contra o Partido Socialista, muitas vezes roçando o ódio puro, soube o eleitorado responder com tranquilidade manifestando uma vontade inequívoca que tranquiliza o país do ponto de vista governativo até outubro de 2026.

De resto esta maioria parlamentar vem acalmar o país em termos de atos eleitorais nos próximos anos, dando-se primazia ao trabalho.

Recordo que as próximas eleições deverão ser as europeias em maio de 2024; depois as Autárquicas em outubro de 2025; as Presidenciais em janeiro de 2026 – que se perspetivam interessantes uma vez que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa não poderá recandidatar-se e, finalmente, eleições Legislativas apenas em outubro de 2026. É este o calendário eleitoral que deverá ocorrer.

Saliente-se ainda que dos 8 deputados eleitos pelo conjunto dos 3 distritos do Alentejo o PCP terá no futuro Parlamento apenas 1 deputado. Seria bom que todos fizessem dentro das respetivas casas políticas uma séria reflexão sobre o porquê dos resultados. É que dizer sempre que são outros com as suas políticas ardilosas e manobras enganadoras os responsáveis por sucessivos e continuados desaires… levará a que no futuro outros se juntem ao CDS e ao Partido Ecologista “Os Verdes” que deixam o Parlamento sem glória.    

Paulo Arsénio

Presidente da Câmara Municipal de Beja