O Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) registou uma das piores taxas de ocupação do ensino superior público na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) 2025, com 56% das vagas por preencher e uma redução de 39,8% face ao ano passado.
Das 519 vagas abertas em 14 licenciaturas, apenas 203 foram ocupadas, deixando em aberto 316 lugares. Entre os cursos mais penalizados estão Agronomia, Engenharia do Ambiente e Ciência e Tecnologia dos Alimentos, que não tiveram qualquer colocado, mantendo por preencher as 91 vagas iniciais. Também em Engenharia Informática, apenas 6 das 61 vagas disponíveis foram ocupadas.
Cursos que resistem
Apesar do cenário negativo, algumas formações conseguiram atrair alunos em número significativo. É o caso de Enfermagem e Educação Básica, que ficaram sem lugares disponíveis para a 2.ª fase, e de Solicitadoria, que recebeu 39 estudantes num total de 45 vagas.
Contexto nacional e impacto regional
Em comunicado, a presidência do IPBeja lembrou que os resultados surgem num contexto de quebra global de candidatos (-12,1%) e do aumento de 5.644 vagas a nível nacional, situação que afetou sobretudo os politécnicos do interior. Ainda assim, entre todos os institutos politécnicos do país, o de Beja foi um dos mais penalizados, ficando apenas à frente do de Tomar, que registou 160 colocações. Para comparação, o Politécnico de Portalegre conseguiu 337 colocações, apesar de também ter sofrido uma redução face a 2024.
A presidência do IPBeja garante, no entanto, que encara as próximas fases do concurso com confiança, destacando a procura crescente dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), que aumentaram 44%, passando de 218 para 314 candidatos.
Outro argumento positivo apontado é a abertura, já este ano letivo, da nova residência de estudantes, com 503 camas, que deverá reforçar a atratividade da instituição ao mitigar um dos maiores problemas do ensino superior: a falta de alojamento.
Críticas internas à gestão
Os resultados já geraram fortes críticas. Aldo Passarinho, candidato à presidência do IPBeja, classificou-os como “uma péssima notícia para o Instituto e para a região”, acusando a atual direção de não ter tomado medidas atempadas para evitar a queda acentuada.
Segundo Passarinho, outras instituições “aproveitaram a oportunidade para aumentar os pares de provas de acesso, abrindo mais possibilidades de captação de candidatos”, algo que o IPBeja não fez, o que terá limitado a procura. “Não está tudo bem! Há que enfrentar o problema de frente, de forma a recolocar o Instituto onde ele deve estar, a bem do ensino superior no Baixo Alentejo”, alertou.
Também Vito Carioca, antigo presidente do IPBeja, reagiu nas redes sociais, considerando que a situação revela uma gestão marcada por “negligência pura e simples”. Para o ex-dirigente, o Conselho Geral da instituição “tem enormes responsabilidades” e deve assumir uma posição clara, sob pena de o Politécnico “não servir para nada num futuro próximo”.
As 2.ª e 3.ª fases do concurso nacional de acesso serão determinantes para perceber até que ponto o Politécnico de Beja consegue recuperar parte das vagas agora por preencher. Até lá, mantêm-se as dúvidas quanto ao impacto que a quebra de quase 40% poderá ter na sustentabilidade da instituição e na qualificação do ensino superior no Baixo Alentejo.