Prisão preventiva para suspeito de agressão a trabalhadores agrícolas em Serpa

O Tribunal Judicial de Serpa (Beja) decretou a prisão preventiva de um dos dois detidos por suspeitas de tráfico, agressões e exploração de trabalhadores agrícolas naquele concelho, revelou hoje fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

A mesma fonte indicou à agência Lusa que o homem, de 33 anos, que é suspeito de agressões físicas a trabalhadores agrícolas, foi conduzido ao Estabelecimento Prisional de Beja, onde vai aguardar o desenrolar do processo.

Os dois homens detidos pelo SEF foram presentes ao Tribunal de Serpa para primeiro interrogatório judicial, tendo o outro suspeito, de 53 anos, ficado sujeito a apresentações semanais na força de segurança da área de residência, avançou a mesma fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Os suspeitos, de origem indostânica e já com nacionalidade portuguesa foram detidos pelo SEF na zona da grande Lisboa, revelou este organismo, na quarta-feira, em comunicado enviado à Lusa.

Os homens foram detidos “por indício da prática do crime de tráfico de pessoas, consubstanciado na exploração de trabalhadores agrícolas, através de pressão psicológica, ameaças, agressões físicas e retenção de salários”.

O SEF deu cumprimento a mandados judiciais de detenção e de busca domiciliária, no âmbito de uma investigação criminal em curso.

Os factos que originaram a investigação “foram praticados em Serpa, distrito de Beja, onde os arguidos tinham dezenas de trabalhadores de origem indostânica para a realização de tarefas agrícolas”, disse o SEF.

Estes trabalhadores agrícolas eram alegadamente mantidos pelos dois suspeitos “sob exploração, aproveitando o facto de não terem a sua situação regularizada em Portugal”, acrescentou

“Os arguidos cobravam, também, elevados valores pelo alojamento, exigindo ainda o pagamento de alegadas prestações sociais e impostos que, na verdade, não liquidavam”, afirmou o mesmo organismo.

Segundo o SEF, a investigação permitiu, até ao momento, identificar e sinalizar quatro vítimas da exploração, “tendo outros trabalhadores recusado prestar depoimento com receio de represálias”.

Além destes dois suspeitos, foi ainda constituída arguida a empresa de que são sócios-gerentes, bem como uma mulher de nacionalidade portuguesa relacionada com a mesma, adiantou o SEF.

Rádio Pax/Lusa