Trabalhadores emigrantes vivem em situações “miseráveis” diz Alberto Matos

O programa semanal da Rádio Pax, “Visão dos Tempos”, prosseguiu ontem com a presença de Alberto Matos, coordenador do Bloco de Esquerda (BE) de Beja, na qualidade de comentador do programa.

Em cima da mesa esteve a atual situação dos trabalhadores emigrantes no distrito de Beja.

Alberto Matos refere que neste momento, em várias casas na freguesia de Baleizão, “passa-se fome”. “Trabalhadores emigrantes que fizeram a campanha da azeitona, trabalhando e dando lucros aos donos da terra, que os exploraram miseravelmente, foram deixados ao abandono”.

“Nós encontrámos, na semana passada, pessoas com fome. Um dos estabelecimentos que vende alimentação dizia que [os trabalhadores emigrantes] durante o período normal ainda fazem compras, mas nos últimos dias só compravam uma couve, de vez em quando, uma cenoura ou uma batata”, salienta o coordenador do Bloco de Esquerda.

Para Alberto Matos a situação “miserável” em que se encontram faz lembrar “o pior do pior do tempo da fome negra, do fascismo, que levou os trabalhadores à luta. Esta escravidão ainda acontece não só em Baleizão, mas em muitas aldeias dos concelhos de Beja, Serpa, Ferreira do Alentejo e Aljustrel”.

O comentador do programa lembra, ainda, a luta de Catarina Eufémia porque “independentemente da cor, da nacionalidade e do país de origem os trabalhadores do mundo não têm pátria e o capital também não tem”.

Catarina Eufémia foi ontem homenageada através de uma romagem ao cemitério de Baleizão, iniciativa realizada pelo Bloco de Esquerda.