Vítor Silva: Democracia, liberdade e segurança

O regime em que os países ocidentais estão habituados a viver, a chamada democracia representativa, volta não volta, está em discussão, eu diria mesmo está ameaçada. Quando se fala em democracia o que vem logo à ideia éa palavra liberdade. Liberdade de votar, liberdade de escolher, liberdade de opinião, liberdade de associação.
Mas será que o conceito e o usufruto da liberdade é o que mais preocupa os cidadãos? Se numa sociedade não houver segurança, não será isto que mais afligeos cidadãos? E quando falo em segurança falo evidentemente na segurança de não se estar sujeito a ser roubado, a ser agredido e até assassinado. Mas também falo na segurança de ter um emprego com um salário justo, que permita manter dignamente a família. Segurança em ter assistência na saúde. Segurança em ter uma reforma digna, depois de uma vida inteira de trabalho.
Se numa sociedade os níveis de insegurança se tornarem demasiado altos ou até insustentáveis, grande parte das pessoas estão dispostas a sacrificar parte da sua liberdade em troca de mais segurança. E deste modo estão mais receptivas a ouvir quem lhes promete mais segurança, mesmo que essa segurança tenha subjacente uma proposta antidemocrática.
É verdade que a grande maioria dos países mais seguros do mundo têm um sistema de democracia representativa, mas nesses países a chamada segurança social, no que diz respeito ao emprego, à saúde, à educação, etc., também é uma realidade. Mas também é verdade que há ditaduras onde a segurança, pelo menos no que diz respeito ao roubo e à violência, também existe.
E é isto que os verdadeiros democratas, muito em particular os políticos que assim se autoclassificam, deviam compreender. Preocupem-se em proporcionar segurança nas ruas às pessoas que por aí circulam, preocupem-se em proporcionar aos cidadãos padrões de vida dignos e assim a liberdade está automaticamente defendida.