Vítor Silva: Que futuro para o hospital de Beja?

Beja não costuma ser muitas vezes notícia na comunicação social nacional, e quando o é costuma ser por más razões. Um aeroporto que não funciona, ultimamente a seca e agora por causa do Hospital de Beja. Foi com este assunto que as notícias me despertaram na segunda-feira. Naturalmente também a comunicação social regional se tem debruçado sobre o tema.
Confesso que não fui surpreendido pelo facto do Hospital José Joaquim Fernandes se encontrar numa situação delicada em que se regista a “absoluta carência de médicos” e o “risco eminente de colapso nas urgências de vários serviços”.
Digo que não fui surpreendido, porque o que se tem assistido desde há uns bons anos a esta parte é um caminho de degradação progressiva do nosso hospital, pese embora o esforço e competência das suas sucessivas administrações. O que está a acontecer ao Hospital de Beja é o mesmo que está a acontecer à nossa região. Se não um total desinteresse, pelo menos um grande desinteresse por parte do poder central, no que diz respeito ao seu desenvolvimento.
É verdade que se construiu a Barragem de Alqueva, ainda no final do século passado, o que tem permitido um enorme desenvolvimento de novas culturas agrícolas, por iniciativa de privados, mas depois disso o que é que o Estado aqui investiu? Ah, é verdade! Construiu-se o terminal civil da Base Aérea, o chamado Aeroporto de Beja, mas sem qualquer estratégia para o seu aproveitamento, o que ficou claro quando por iniciativa governamental se têm levado as indústrias aeronáuticas para Évora. E só não se levou o Aeroporto porque ele não é móvel! Por isso é que esse inefável autarca, José Ernesto, que foi Presidente da Câmara Municipal de Évora, chegou a defender (está escrito) que nessa cidade se devia construir um aeroporto.
Veio há pouco o senhor Primeiro-Ministro, António Costa, anunciar o investimento de umas centenas de milhões de euros para a construção da linha férrea que há de unir o Porto de Sines a Espanha, passando por Évora, e também para a construção do Hospital Central do Alentejo, também em Évora.
Não estou contra estes investimentos, bem pelo contrário, mas o Alentejo é mais que Évora, estende-se na direcção de todos os pontos cardeais.
Caso se continue com esta estratégia centralista regional, a maior parte do Alentejo vai desenvolver-se muito lentamente ou até deprimir-se. É o que está a acontecer ao Hospital de Beja, que só existe desde há quase cinquenta anos, devidoa uma doação de Dona Carolina Almodôvar Fernandes, não o esqueçamos. Mas, por este caminho, qualquer dia não passará de uma espécie de centro de saúde.