Vitor Sílva: Trotinetas

Até há pouco tempo nas cidades o transporte das pessoas fazia-se por meios próprios, essencialmente o automóvel e os veículos de duas rodas ou por meios públicos, como o autocarro, o metro, o táxi e até o barco. É claro que um meio também muito utilizado sempre foi o de andar a pé.
Mas os últimos tempos têm trazido, nas cidades de média e de grande dimensão, em particular na Europa, mas não só, novas formas de mobilidade. Primeiro apareceram concorrentes ao táxi, como a Uber e a Cabify, depois o carsharing, logo a seguir as bicicletas de aluguer e mais recentemente as trotinetas. Os poderes públicos, como é costume, têm tido dificuldade em adaptar-se a esta nova realidade, isto é, em produzirem regulamentação que compatibilize de uma forma harmoniosa todas estas formas de mobilidade, e isto não é verdade só em Portugal como também lá fora.
Quando começaram a aparecer bicicletas em número significativo nas vias públicas urbanas, surgiram imediatamente dois problemas. Ou as bicicletas circulavam entre os automóveis, com um perigo evidente para os ciclistas ou circulavam também nos passeios, com um perigo inesperado para os peões. Os municípios responderam a esta situação criando pistas exclusivas para ciclistas, à semelhança do que acontece em vários outros países, o que resolveu substancialmente os problemas, mas não totalmente, pois que muitos ciclistas continuam a circular por onde muito bem lhes apetece.
Agora apareceram as trotinetas eléctricas. Vejo-as em todo o lado por essa Europa for e não só. Em Lisboa dizem-me que há sete empresas dedicadas ao seu aluguel. É vê-las a circular por tudo quanto é sítio, entre os automóveis, nasciclopistas, nos passeios. E aquilo dá uma velocidade que só visto! Mas se entre os automóveis o perigo é fundamentalmente para quem as usa, nos passeios os peões são quem mais riscos corre, pois que as ditas trotinetas, por possuírem motor eléctrico, são bastante silenciosas.
Conclusão: Até aqui circular a pé nas cidades era uma maneira bastante segura. Claro que o perigo sempre foi o atravessar as ruas, nas passadeiras ou fora delas, com semáforos ou sem eles. Mas andar nos passeios sempre foi muitíssimo seguro. Agora qualquer peão que circule no passeio, além de ter de se preocupar com as bicicletas, também tem que se preocupar com estas malfadadas trotinetas. É caso para perguntar se a espécie humana peão não estará em risco de extinção.