Vítor Silva: Um mundo cada vez mais desigual

Se procurarmos na Wikipédia, essa espécie de enciclopédia disponível na Internet, ficaremos a saber que a Oxfam é uma confederação de organizações e de parceiros, presente numa centena de países e que se preocupa com o problema da pobreza e o da injustiça. Foi fundada na Inglaterra no já longínquo ano de 1942, na cidade de Oxford, daí lhe advindo o nome.Durante os mais de setenta e cinco anos de existência foi adquirindo um enorme prestígio, pelo rigor das suas análises e pela denúncia das situações de pobreza e de injustiça que grassam pelo mundo.
Na passada semana realizou-se em Davos, na Suíça, a reunião anual do Fórum Económico Mundialonde esteve presente a Directora Executiva da Oxfam, Winnie Byanyima, que abordou o problema da crescente desigualdade na distribuição da riqueza a nível mundial. Que no Fórum de Davos, que é dominado pelos mais ricos países e personagens do mundo, se tenha discutido este assunto foi já uma vitória da Oxfam, que nos últimos anos não se cansa de levantar a questão.
Só para quantificar a magnitude do problema, soube-se que, em 2017, 1% dos mais ricos ficou com 82% da riqueza criada. Hoje em dia, poucas dezenas de pessoas possuem tanta riqueza como toda a restante população do mundo.
Ninguém é capaz de negar estes números, que têm a sua origem no insuspeito banco CréditSuisse. A Oxfam tem proposto várias medidas para começar a resolvero problema, a saber: que as pessoas mais ricas paguem impostos justos, que se acabe com o trabalho precário e os salários muito baixos e que se invista em serviços públicos gratuitos e de qualidade para todos. Isto, segundo a Oxfam, seria apenas o começo para depois se elaborar um plano mais profundo, a nível global, para erradicar a pobreza.
Pode parecer utópico querer acabar com a pobreza, mas a verdade é que a riqueza que hoje é criada em todo o mundo permitia fazê-lo, bastava distribuí-la melhor, muito melhor. E é aqui que reside o problema. Os mais ricos, pesem embora reconhecendo que as desigualdades sociais são cada vez maiores, recusam-se a abdicar de parte do muito que têm em favor dos mais pobres. Pelo contrário,alegam que apesar das desigualdades aumentarem, o número de pobres tem diminuído e o seu nível de vida tem melhorado, o que não é mentira. Pouco mas tem. Desconfiam também que por detrás da defesa de aumentos de impostos para os mais ricos há uma agenda escondida para acabar com esses mesmos ricos. É certo que ainda existem alguns poucos que sonham com uma sociedade igualitária em que não existam pobres nem ricos, mas a História e as experiências baseadas nesse projecto não levaram a sociedades mais justas.
Não se trata, portanto, de eliminar de todo as desigualdades, o que além de utópico, conduziria a resultados contrários aos pretendidos. As desigualdades, dentro de limites aceitáveis,são fundamentais para uma dinâmica social que favorece o crescimento económico. A questão não é acabar com os ricos. Eles são necessários. A questão é acabar com os pobres.