Vítor Silva: Vender a alma ao diabo

Depois de uma ausência de duas semanas destes microfones, devido a férias, eis-me de regresso. As férias passei-as em parte fora do país, mas hoje a internet permite-nos que em qualquer parte onde estejamos, ficarmos sempre a par do que se vai passando cá pelo nosso país. Daí que no final da passada semana tenha tomado conhecimento da tragicomédia que passou a envolver o Sporting Clube de Portugal.E sabendo a importância que o futebol tem em Portugal logo o assunto passou a ocupar o topo dos noticiários, das televisões, das rádios e dos jornais. E quanto aos debates televisivos, aí o assunto passou a ser praticamente monopolista, tendo-se ainda prejudicado outros programas para dar mais espaço ao caso.
Sem querer fazer grandes análises e tomar posição sobre a crise do Sporting, tanto mais que não sou adepto leonino, há algo que não deixa de me espantar. O Bruno de Carvalho que agora tantos arrastam pelas ruas da amargura e querem ver pelas costas, não é a mesma pessoa que a esmagadora maioria dos sportinguistas apoiou desde que ganhou pela primeira vez as eleições no seu clube? Não é o mesmo Bruno de Carvalho que essa esmagadora maioria apoiou sempre que ele disparou e insultou todos os que não eram afectos ao Sporting? Quantos sportinguistas mostraram a sua indignação quando Bruno de Carvalho pronunciou: “Bardamerda para todos os que não são do Sporting”?
O que se está a passar com o clube de Alvalade faz-me lembrar a história do Doutor Fausto que vendeu a alma ao Diabo em troca da vida eterna. Fazendo o paralelismo, o Doutor Fausto é aqui o Sporting que vendeu a alma ao Diabo, Bruno de Carvalho, em troca de títulos no futebol profissional.
Só não sei é se Bruno de Carvalho está acabado ou não para o Sporting, mas o Diabo, esse sim é eterno.