A agricultura do Sudoeste Alentejano precisa de mais água e os produtores apontam uma solução: fazer chegar os recursos hídricos do Alqueva à barragem de Santa Clara, através de uma ligação a partir de Monte da Rocha, no concelho de Ourique. O projeto poderá garantir cerca de 25 milhões de metros cúbicos de água por ano e é considerado uma prioridade absoluta para o futuro agrícola da região.
A reivindicação é apresentada pelo presidente da Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA), Luís Mesquita Dias, que defende a concretização desta infraestrutura como resposta às necessidades de abastecimento do setor.
Em declarações à agência Lusa, o dirigente considera que a ligação entre Monte da Rocha e Santa Clara é um dos investimentos mais urgentes para o território.
A proposta passa por aproveitar a ligação do Alqueva à barragem do Monte da Rocha e prolongar o sistema até Santa Clara, reforçando as disponibilidades de água para a agricultura do Sudoeste Alentejano.
Os números apresentados pela associação ajudam a perceber a dimensão da proposta.
Segundo Luís Mesquita Dias, nos últimos anos, os consumos anuais de água na região oscilaram entre os 15 e os 20 milhões de metros cúbicos.
A nova ligação poderia acrescentar cerca de 25 milhões de metros cúbicos por ano, um volume superior aos consumos anuais recentemente registados.
Para os produtores, esta disponibilidade adicional representaria um reforço importante da segurança hídrica, num território onde a agricultura depende fortemente da existência de água para rega.
A associação garante que o Governo já manifestou disponibilidade para trabalhar nesta solução.
Luís Mesquita Dias considera que a interligação entre as barragens poderá avançar de forma mais rápida e com custos inferiores aos de uma unidade de dessalinização.
Ainda assim, a construção de uma dessalinizadora continua nos planos da associação.
O presidente da AHSA entende que, a médio ou longo prazo, será necessário recorrer também à produção de água dessalinizada para responder às necessidades da região.
A prioridade imediata, contudo, é a ligação entre Monte da Rocha e Santa Clara.
Mas a estratégia da associação para os próximos dez anos vai muito além da água.
A AHSA pretende desenvolver projetos de proteção da biodiversidade, através da instalação de sebes e cortinas vegetais, e apostar na compostagem como forma de valorizar recursos e promover práticas agrícolas mais sustentáveis.
Na área da energia, está prevista a criação de comunidades de energia renovável, que poderão começar a funcionar dentro de seis meses a um ano, segundo as estimativas do dirigente.
A mobilidade rural é outra preocupação.
A associação pretende testar três projetos-piloto destinados a melhorar as deslocações e a acessibilidade num território onde as distâncias entre localidades, explorações agrícolas e serviços representam um desafio diário.
A falta de trabalhadores e a necessidade de atrair novas gerações para a agricultura também fazem parte das prioridades.
Nesse sentido, a AHSA quer desenvolver o projeto “Bolsa de Valores”, um mecanismo regional destinado a articular as necessidades de mão-de-obra entre a agricultura e outros setores económicos do Alentejo.