O julgamento da morte de um homem de 80 anos, no concelho de Aljustrel, ficou marcado por acusações cruzadas entre os dois arguidos. Perante o Tribunal de Beja, o homem e a mulher, ambos de 40 anos, apresentaram versões contraditórias sobre as agressões que antecederam a morte da vítima.
O arguido responsabilizou a ex-companheira por ter atingido o idoso com um ferro, enquanto a mulher apontou o dedo ao ex-marido, acusando-o de ter utilizado uma pistola para agredir a vítima.
Na primeira sessão do julgamento, o homem afirmou que a antiga companheira atingiu o idoso “duas ou três vezes” com um objeto de ferro.
O arguido admitiu, no entanto, ter participado nos acontecimentos junto ao poço, reconhecendo que ajudou a abrir a estrutura e a empurrar a vítima.
Já a mulher apresentou uma versão diferente. Segundo as suas declarações, foi o ex-marido quem agrediu o idoso com uma pistola, primeiro na residência da vítima e, posteriormente, junto ao poço.
A arguida negou qualquer participação nas agressões.
As declarações colocam os dois antigos companheiros em confronto direto perante o tribunal, numa tentativa de atribuir ao outro a responsabilidade pelos atos praticados.
O caso remonta a janeiro deste ano, quando um idoso de 80 anos, residente na zona de Jungeiros, no concelho de Aljustrel, foi vítima de um crime que, segundo a acusação do Ministério Público, envolveu agressões, roubo, sequestro e o abandono da vítima num poço.
De acordo com a acusação, o homem ainda estaria vivo quando foi lançado para o interior da estrutura.
Os dois arguidos encontram-se em prisão preventiva e respondem pelos crimes de homicídio qualificado, roubo e sequestro agravado.
Durante a primeira sessão foram também ouvidas várias testemunhas, procurando o tribunal esclarecer a sequência dos acontecimentos e a intervenção de cada um dos acusados.
O julgamento deverá prosseguir esta quarta-feira, 4 de novembro, com a audição da última testemunha e a apresentação das alegações finais.