Marcelo Guerreiro, presidente da Câmara de Ourique, não tem dúvidas: a habitação é “provavelmente um dos maiores desafios” do concelho. Há uns anos, recorda, arranjar casa a preços acessíveis era relativamente simples. Hoje, famílias, jovens e trabalhadores que querem viver em Ourique têm dificuldade em encontrar uma. No concurso feito recentemente para atribuir seis habitações municipais, houve mais de quarenta candidaturas elegíveis. Para Marcelo Guerreiro, o número mostra bem a dimensão das necessidades.
A Câmara está a executar a sua Estratégia Local de Habitação. Já concluiu a reabilitação de trinta e nove habitações no Bairro do Rosal, está a finalizar novas casas na antiga Casa dos Médicos e tem em construção quatro apartamentos T2 no antigo edifício da Segurança Social. A ambição é chegar a quarenta habitações municipais até ao fim do mandato.
Mas o presidente quer ir mais longe. Pretende criar duas novas urbanizações no concelho. Numa delas, o município já comprou o terreno e aprovou a reconversão do solo, e pode agora avançar com o projeto. Quer também incentivar o investimento privado na construção e na reabilitação, “porque a Câmara, sozinha, não consegue responder a tudo”.
E deixa um recado ao Governo: este esforço “não pode ficar exclusivamente sobre os ombros das autarquias”. Os municípios, diz, têm mostrado capacidade para identificar necessidades, desenvolver projetos e investir, mas precisam de financiamento do Estado central para continuar. A habitação, defende, é um problema nacional e exige uma resposta nacional, com atenção especial aos territórios de baixa densidade, onde o mercado privado nem sempre consegue responder.
Para o autarca, a habitação não é só uma questão social. É uma condição essencial para o desenvolvimento económico e demográfico do concelho. “Não podemos querer atrair empresas, fixar jovens e receber novas famílias se não tivermos casas disponíveis”, afirma. Por isso, garante, será uma das grandes prioridades do mandato.