Há centenas de casas vazias e degradadas em Beja, e o Bloco de Esquerda tem uma proposta radical para resolver o problema: criar uma empresa pública municipal de construção civil.
O partido diz que, mais de um ano depois de o novo executivo, uma coligação entre PSD e PCP, ter tomado posse, o grande problema do concelho continua sem resposta: a falta de habitação, a par da degradação de casas que se tornam inabitáveis. O BE lembra que a habitação foi a sua principal bandeira nas autárquicas de 2025 e que as recentes manifestações de jovens, em Portugal e na Europa, confirmam o tema como foco das lutas sociais.
Segundo o Bloco, o centro histórico está ao abandono. Há edifícios tão degradados que são um perigo para quem passa, enquanto as rendas em Beja estão entre as mais altas do interior do país e o concelho tem dificuldade em atrair jovens e pessoas qualificadas.
O partido fez um levantamento do edificado, em sessenta e três ruas, e sinalizou trezentos e sessenta e seis fogos devolutos. Oitenta e nove são lojas fechadas, nove delas em estado de grande degradação. As restantes duzentas e setenta e oito são casas de habitação, e cento e oitenta e seis estão em estado de grande degradação. Tendo em conta o que ficou por analisar, o BE estima que haja cerca de quinhentos fogos devolutos.
O Bloco recorda que o próprio executivo admitiu, na Assembleia Municipal, que vários concursos públicos de reabilitação ficaram desertos. Para o partido, isso explica-se por três razões: os preços do caderno de encargos serem demasiado baixos, as empresas preferirem apostar em construção nova e aproveitar a especulação imobiliária, e a falta de mão de obra na construção civil.
Perante esta incapacidade da Câmara, o BE quer “ir à raiz dos problemas” com uma empresa municipal que dê prioridade à reabilitação e à renovação urbana, e que possa também fazer pequenas reparações em casas que precisem. Segundo o partido, a empresa daria ao executivo independência para definir prioridades, garantiria mão de obra própria, criaria postos de trabalho num concelho que precisa deles e funcionaria como regulador do mercado local de habitação.