Enquanto milhares de portugueses se acumulam, exaustos, nos corredores das urgências mais sobrecarregadas do país, há uma exceção que teima em contrariar a regra: o Hospital de Beja. Segundo dados recentes, quem procura socorro na urgência desta unidade do Baixo Alentejo aguarda, em média, entre meia hora e duas horas, um contraste gritante com a realidade vivida noutras zonas do país.
No Hospital Amadora-Sintra, o cenário é dramático: doentes urgentes chegaram a esperar praticamente dez horas por observação médica, agravado pela falta de médicos de família na região. Também Portimão regista esperas de cinco a seis horas, enquanto Santa Maria e Garcia de Orta ultrapassaram as sete horas em picos recentes de afluência.
Beja não escapa, no entanto, a dificuldades pontuais: em dias de maior escassez de profissionais, a urgência geral chega a fechar-se a quem se apresenta por meios próprios, aceitando apenas doentes encaminhados pelo INEM, pela Linha SNS 24 ou por outros médicos.
É perante este retrato desigual do país que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, veio anunciar mudanças. À margem da inauguração do Hospital Lusíadas Beloura, em Sintra, a governante garantiu que a reorganização das urgências a nível nacional está em marcha, mas avisou que o processo será longo: cerca de um ano até estar concluído. Ainda assim, adiantou que os primeiros resultados deste trabalho deverão ser conhecidos já no final de novembro, começando por uma fase de audição pública, “por uma questão de transparência”, antes de se avançar para a regionalização das urgências. Ana Paula Martins defendeu ainda ser necessário concentrar recursos para reduzir os tempos de espera, apontando como exemplo positivo a reorganização já feita este ano nos serviços de obstetrícia em várias Unidades Locais de Saúde.