Odemira atingiu um número que não encontra paralelo no resto do Alentejo: mais de metade das pessoas que vivem no concelho são cidadãos estrangeiros. Os novos dados das migrações em Portugal mostram que, dos 44 mil residentes, mais de 22 mil têm nacionalidade estrangeira.
Os números constam do Relatório de Migrações e Asilo 2025, divulgado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo, e traçam um retrato particularmente expressivo deste concelho do litoral alentejano.
Odemira contabiliza 44.043 residentes, dos quais 22.038 são estrangeiros. Significa que a população não portuguesa representa 50,04% do total.
A realidade de Odemira destaca-se claramente no contexto regional e está associada a um território onde a atividade agrícola tem atraído, ao longo dos últimos anos, milhares de trabalhadores de outras nacionalidades.
Mas há outro concelho do distrito de Beja que aparece em destaque. Ferreira do Alentejo tem já cerca de 23% de população estrangeira, uma percentagem bastante superior à média nacional.
No extremo oposto surge Barrancos. É o concelho de Portugal continental referido no relatório com menor número de residentes estrangeiros: apenas 28, correspondentes a cerca de 2% da população.
A nível nacional, Portugal contabilizava, no final de 2025, 1.585.854 cidadãos estrangeiros, mais cerca de 38 mil do que um ano antes. Representavam 13,9% da população residente.
Lisboa concentra o maior número absoluto, com mais de 200 mil cidadãos estrangeiros, equivalentes a 30,4% dos residentes da capital.
Já em termos territoriais, o Algarve continua a apresentar uma forte presença de população não portuguesa. Os estrangeiros representam 34,5% da população da região, com concelhos como Albufeira e Lagos a aproximarem-se dos 40%.
Os dados mostram ainda como a imigração se espalhou pelo país: dos 308 municípios portugueses, 171 têm mais de mil residentes estrangeiros e 36 ultrapassam os dez mil.
Mas é no Baixo Alentejo que surge um dos números mais marcantes do relatório. Em Odemira, a população estrangeira já ultrapassou a portuguesa: em cada 100 habitantes do concelho, cerca de 50 têm nacionalidade estrangeira.