O calor pode estar a incomodar muitos portugueses, mas está a dar boas notícias ao setor do azeite. A Olivum, principal associação nacional de olivicultores e lagares, com sede em Beja, prevê que a produção nacional cresça quase 10% este ano, aproximando-se novamente dos valores de referência da campanha de 2024/2025.
Segundo a associação, as temperaturas elevadas registadas este ano estão a antecipar a maturação da azeitona, o que poderá levar vários produtores a avançar mais cedo com a colheita e a arrancar também mais cedo com o funcionamento dos lagares.
Se as previsões se confirmarem, Portugal pode aproximar-se das 177 mil toneladas de azeite, depois de uma campanha anterior que tinha ficado pelas 160 mil toneladas. Ainda assim, Gonçalo Moreira, gestor de projetos da Olivum, pede prudência: é “ainda prematuro tirar conclusões sobre a campanha”, garantindo que o setor continua focado em manter a qualidade que tem colocado Portugal entre os grandes produtores mundiais de azeite.
Nem tudo são boas notícias, porém. A associação alerta para o peso crescente dos combustíveis nos custos de produção: o gasóleo agrícola subiu cerca de 60% e o gasóleo rodoviário 40%, face ao período homólogo da campanha anterior — um encarecimento que se soma aos desafios que os olivicultores têm de gerir.
Com sede em Beja desde 2013, a Olivum representa hoje mais de 53 mil hectares de olival, 21 lagares e cerca de 70% de toda a produção nacional de azeite.