juntaram-se numa herdade próxima de Vila Nova de São Bento, acompanhados por quase 30 tratores, para denunciar aquilo que classificam como condições “impraticáveis” para continuar a produzir.
No centro da contestação está o preço dos combustíveis, em particular do gasóleo agrícola, que, segundo a APROSERPA, ultrapassa 1,80 euros por litro, mas também a subida dos fertilizantes, adubos e restantes fatores de produção.
E as consequências poderão começar a sentir-se já nas próximas semanas.
Bruno Jacob, agricultor com cerca de 600 hectares e produção de cereais e pecuária, admite reduzir drasticamente as sementeiras. Perante os atuais custos, equaciona cultivar apenas 25 a 30% da área que habitualmente semeia.
“É impossível trabalhar nos campos. O custo de produção é superelevado”, desabafou.
Também a próxima campanha da azeitona está sob ameaça. António Morgado, produtor com perto de 600 hectares, incluindo olival, admite que parte da produção possa simplesmente ficar nas árvores, caso os custos da apanha sejam superiores ao rendimento obtido com a venda.
Mas é nas contas apresentadas pela APROSERPA que a dimensão do problema ganha outro peso.
João Revez, presidente da associação, afirma que um trator utilizado durante oito horas na preparação das terras pode consumir cerca de 320 litros de gasóleo num único dia.
E critica os apoios anunciados pelo Governo, que considera claramente insuficientes.
“Esses 36 euros não dão para comprar 20 litros de gasóleo.”
Segundo João Revez, mesmo num ano agrícola favorável, os produtores enfrentam o risco de chegar ao final da campanha sem conseguirem recuperar, através da venda dos produtos, aquilo que gastaram para produzir.
A APROSERPA exige, por isso, uma redução do preço do gasóleo agrícola e quer o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, em Serpa para conhecer diretamente a situação enfrentada pelos produtores.
E o aviso ficou feito: se não houver respostas, os agricultores admitem avançar para outras formas de luta.
No concelho de Serpa, a preocupação já não é apenas saber quanto custará produzir. Para alguns agricultores, a questão começa a ser outra: se ainda compensa ligar os tratores, semear os campos e apanhar aquilo que a terra produzir.