O Partido Comunista Português acusa PS e PSD de terem desperdiçado sucessivas oportunidades para transformar o Aeroporto de Beja num motor de desenvolvimento do Baixo Alentejo. Os comunistas responsabilizam os dois partidos pela falta de investimento na infraestrutura e anunciam que vão apresentar uma proposta no Orçamento do Estado para 2027 destinada à criação de uma plataforma logística associada ao aeroporto.
Em comunicado, o Executivo da Direção da Organização Regional de Beja do PCP critica aquilo que considera ser uma troca de acusações entre socialistas e sociais-democratas, a propósito do futuro do aeroporto e dos investimentos anunciados para outras regiões do país.
Para os comunistas, os dois partidos partilham responsabilidades pelo reduzido aproveitamento de uma infraestrutura que poderia desempenhar um papel estratégico na economia regional e nacional.
O PCP defende que Beja tem condições para acolher muito mais do que operações ocasionais de passageiros.
A proposta comunista passa por desenvolver uma estratégia integrada que inclua transporte aéreo, manutenção de aeronaves, parqueamento, movimentação de mercadorias, turismo e atividades industriais ligadas ao setor aeronáutico.
A criação de uma plataforma logística que facilite o escoamento dos produtos do Alentejo é outra das prioridades defendidas pelo partido.
Mas, para concretizar esta ambição, o PCP considera indispensável investir também nas ligações rodoviárias e ferroviárias, permitindo uma verdadeira articulação entre diferentes meios de transporte.
Uma das críticas mais duras é dirigida à gestão privada dos aeroportos portugueses.
Segundo o PCP, apenas 0,4% do investimento previsto pela ANA para o conjunto dos aeroportos nacionais será destinado a Beja, um valor que os comunistas consideram demonstrativo da falta de prioridade atribuída à infraestrutura alentejana.
O partido volta também a contestar a privatização da ANA, entregue ao grupo francês VINCI, e o processo de privatização da TAP, argumentando que estas decisões reduzem a capacidade do Estado para definir uma estratégia nacional para o transporte aéreo.
Na perspetiva comunista, a gestão do Aeroporto de Beja deve permanecer pública e estar orientada para as necessidades económicas e sociais da região.
A polémica em torno da anunciada escola de pilotos da Lufthansa também merece críticas do PCP.
Os comunistas consideram que, antes de alimentar rivalidades entre regiões, o Governo deve esclarecer a natureza do projeto, as entidades envolvidas, os destinatários da formação e as razões técnicas que possam justificar a exclusão de Beja.
O partido sustenta que as alegadas incompatibilidades da infraestrutura alentejana com o projeto ainda não foram suficientemente demonstradas.
O PCP recorda ainda vários anúncios feitos ao longo dos últimos anos, incluindo uma escola de pilotos a jato em 2019, um centro de helicópteros em 2022 e uma nova escola de pilotos em 2025.
Segundo os comunistas, estas intenções não se traduziram, até agora, nos investimentos anunciados.
Para o PCP, o problema não está na falta de potencial do Aeroporto de Beja, mas na ausência de decisões políticas e financeiras que permitam aproveitá-lo.
O partido defende que a utilização civil da infraestrutura pode coexistir com as funções militares da Base Aérea n.º 11, não considerando que essa partilha constitua, por si só, um impedimento ao desenvolvimento aeroportuário.
Os comunistas recordam igualmente que a Assembleia da República já aprovou recomendações para valorizar o aeroporto e reforçar a sua integração no sistema nacional de transportes.
É neste contexto que o PCP anuncia a apresentação de uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2027, destinada à criação de uma plataforma logística ligada ao Aeroporto de Beja.
A iniciativa pretende passar das reivindicações para uma proposta parlamentar concreta, embora o comunicado não indique o investimento necessário nem o calendário previsto para a sua concretização.
O PCP insiste que Beja deve ser integrada numa estratégia nacional para a aeronáutica, a logística e os transportes, capaz de atrair empresas, criar emprego e aproveitar as potencialidades económicas do Baixo Alentejo.
Depois de anos de anúncios e projetos por concretizar, os comunistas lançam um novo desafio ao Governo: deixar de discutir apenas o futuro do Aeroporto de Beja e começar a investir na sua utilização efetiva.